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O que se sabe até agora sobre Megaoperação contra Comando Vermelho no Rio que soma 64 mortos e 81 presos

O Rio de Janeiro viveu nesta terça-feira, 28 de outubro, um dos dias mais violentos de sua história recente, com pelo menos 64 mortos e 81 presos durante uma megaoperação conjunta das Polícias Civil e Militar contra o Comando Vermelho, nas comunidades do Complexo do Alemão e da Penha. A ação, parte da Operação Contenção, mobilizou cerca de 2,5 mil agentes, com o objetivo de desarticular o poder da facção criminosa que controla parte da Zona Norte da capital.

Entre os mortos, estão quatro policiais, conforme informações da Polícia Civil. Há também relatos de moradores e outros agentes baleados. A operação, planejada por mais de um ano, visava cumprir cem mandados de prisão e cento e cinquenta de busca e apreensão em uma área de nove milhões de metros quadrados — uma das mais conflagradas do estado.

O governador Cláudio Castro (PL) classificou a ação como “a maior operação das forças de segurança do Rio de Janeiro”. Em coletiva de imprensa, afirmou que se tratava de uma ofensiva do Estado “contra narcoterroristas” e destacou o uso de tecnologia, inteligência e estratégia. Contudo, lamentou a ausência de apoio do governo federal. “As nossas polícias estão sozinhas. Mais uma vez, não temos auxílio das forças federais. É o Rio de Janeiro completamente sozinho”, disse.

De acordo com Castro, dois helicópteros, 32 blindados, drones e 12 veículos de demolição foram empregados para garantir a execução da operação. O secretário de Segurança Pública, Victor Santos, reforçou a dificuldade enfrentada pelo efetivo estadual. “São nove milhões de metros quadrados de desordem urbana, becos intransitáveis e criminosos fortemente armados. É impossível enfrentar isso apenas com o efetivo do estado”, declarou, defendendo uma ação conjunta entre União, Estado e município.

A Polícia Militar confirmou a prisão de Thiago do Nascimento Mendes, conhecido como Belão, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho, e de Nicolas Fernandes Soares, operador financeiro de um dos chefes do tráfico. Foram apreendidos 72 fuzis e grande quantidade de drogas, além de materiais usados em ataques contra as forças de segurança.

Durante a operação, criminosos reagiram com extrema violência. Utilizaram drones para lançar explosivos, incendiaram veículos e montaram barricadas em diversos pontos da cidade, incluindo trechos da Avenida Brasil. Vídeos divulgados nas redes sociais mostraram traficantes fugindo em fila indiana pela mata da Vila Cruzeiro. Em decorrência dos confrontos, o Centro de Operações e Resiliência (COR) elevou o estágio operacional da cidade para o nível 2, em uma escala que vai até 5.

Diante do risco de novas represálias, todos os batalhões da PM foram colocados em estado de alerta máximo, e as atividades administrativas foram suspensas. Escolas, unidades de saúde e comércios locais interromperam o atendimento, deixando milhares de moradores confinados dentro de casa.

Em resposta às críticas, o Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que atendeu a todos os pedidos de apoio feitos pelo governo estadual desde 2023, com a Força Nacional atuando em solo fluminense de forma contínua. O órgão destacou que a presença federal está autorizada até dezembro de 2025, podendo ser prorrogada.

A Operação Contenção se consolida como símbolo da escalada de violência nas favelas cariocas — um retrato da complexa guerra travada diariamente entre o Estado e o crime organizado, em que, mais uma vez, o maior prejuízo recai sobre a população das comunidades.

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