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Megaoperação no rio: Durante treino em academia mulher é atingida por tiro de fuzil

Durante uma megaoperação realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, na manhã desta terça-feira (28), uma mulher acabou sendo vítima de uma bala perdida enquanto treinava em uma academia. O caso chamou atenção por ter acontecido longe do foco principal da operação e expôs, mais uma vez, o drama vivido por moradores de áreas afetadas por confrontos entre forças de segurança e o tráfico.

A vítima foi identificada como Kelma Rejane, frequentadora assídua da academia Marretão Fitness, localizada em Olaria, bairro vizinho ao Complexo do Alemão. Em entrevista ao RJ1, da Rede Globo, Kelma relatou o momento de desespero que viveu. “Eu estava fazendo exercício quando ouvi muitos tiros. De repente, senti uma queimação muito forte. Foi aí que percebi que tinha sido atingida”, contou. O marido dela, que também estava próximo, a socorreu imediatamente e a levou ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha.

Apesar do susto, o ferimento não foi grave, e Kelma recebeu alta médica ainda pela manhã. Segundo informações da unidade hospitalar, além dela, outras três pessoas foram atendidas com ferimentos provocados por balas perdidas no mesmo período, todas relacionadas aos intensos confrontos ocorridos durante a operação.

A direção da Marretão Fitness se pronunciou por meio das redes sociais, informando que a aluna passa bem e agradecendo as mensagens de solidariedade enviadas por colegas, clientes e amigos. “Nosso maior desejo é que todos possam se exercitar em paz e segurança. Agradecemos o carinho de todos e desejamos pronta recuperação à Kelma”, diz o comunicado.

A operação mais letal da história do Rio

A megaoperação desta terça-feira foi considerada uma das mais extensas e violentas já realizadas no estado. O objetivo, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, era prender líderes do Comando Vermelho e conter o avanço das facções criminosas que dominam comunidades na Zona Norte. Participaram da ação policiais civis, militares e agentes das forças especiais, com apoio de helicópteros e veículos blindados.

De acordo com o balanço oficial divulgado até o início da noite, 64 pessoas morreram, entre elas quatro policiais, e 81 suspeitos foram presos. As autoridades classificaram a ação como um marco no enfrentamento ao crime organizado, enquanto moradores denunciaram o clima de medo e as consequências para a população civil.

O governador Cláudio Castro afirmou que a operação representa um “duro golpe contra o narcoterrorismo” e destacou que é “a maior ofensiva de segurança dos últimos 15 anos no estado”. Apesar das palavras do governador, organizações de direitos humanos e especialistas em segurança pública questionaram a letalidade da operação e cobraram transparência na apuração das mortes.

Enquanto as investigações continuam, o caso de Kelma Rejane se tornou símbolo da vulnerabilidade de cidadãos comuns que acabam atingidos por tiros durante confrontos armados. Recuperando-se em casa, ela afirmou que pretende retornar à academia em breve, mas fez um apelo emocionado: “A gente só quer viver em paz. Não é justo correr risco de morrer só por estar se exercitando.

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