Guerra letal: RJ registra a operação com maior número de mortos da história no estado

A operação policial que deixou 60 mortos no Complexo do Alemão, entre a quinta (21) e a sexta-feira (22), se soma a uma série de ações extremamente violentas que colocam o Rio de Janeiro entre os estados com mais mortes decorrentes de confrontos entre forças de segurança e suspeitos. O episódio se junta a outras duas chacinas ocorridas no último ano e consolida um cenário de escalada letal sob a gestão do governador Cláudio Castro (PL).
Nos últimos 14 meses, a capital fluminense registrou três das quatro operações policiais mais mortais de toda a sua história. Nesse curto período, 72 pessoas perderam a vida em apenas três operações realizadas em favelas da cidade, de acordo com levantamento do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (GENI-UFF), compilado pelo portal G1.
A ação mais letal já registrada ocorreu em maio de 2021, no Jacarezinho, também na Zona Norte do Rio, quando 28 pessoas morreram durante uma incursão policial. Um ano depois, em maio de 2022, 25 pessoas foram mortas na Vila Cruzeiro, em outra operação de grande porte. Agora, a tragédia se repete no Complexo do Alemão, com 19 mortos, número que empata com o massacre ocorrido na mesma comunidade em 2007.
Entre os mortos da recente operação no Alemão estão duas mulheres, um policial militar e 16 homens classificados como “suspeitos” pelas autoridades. A ação, que durou cerca de cinco horas, mobilizou dezenas de agentes e resultou em intensos confrontos armados. Moradores relataram pânico e desespero, além de terem recolhido corpos e colocado em kombis para levá-los à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Alemão, conforme mostram vídeos divulgados pelo jornal A Voz das Comunidades.
De acordo com os dados do Instituto Fogo Cruzado, atualizados pelo portal Brasil de Fato, sob o governo de Cláudio Castro, o estado já acumula 40 chacinas registradas em apenas um ano e dois meses de gestão, totalizando 197 mortes em operações policiais. Os números chamam a atenção por refletirem uma política de segurança centrada em ações bélicas, frequentemente criticada por organizações de direitos humanos e por especialistas em segurança pública.
O levantamento histórico mostra que, ao longo das últimas três décadas, o Rio de Janeiro foi palco de dezenas de operações com altos índices de letalidade. Entre as mais violentas estão: Jacarezinho (maio de 2021), com 28 mortos; Vila Cruzeiro (maio de 2022), com 25 mortos; Complexo do Alemão (junho de 2007), com 19 mortos; Complexo do Alemão (julho de 2022), com 19 mortos; Senador Camará (janeiro de 2003), com 15 mortos; Fallet/Fogueteiro (fevereiro de 2019), com 15 mortos; além de outras incursões fatais no Alemão, Vidigal e Catumbi.
Com os índices de letalidade em alta e as críticas crescendo, o debate sobre o modelo de enfrentamento policial no Rio volta ao centro das discussões, expondo os desafios de equilibrar segurança pública e preservação de vidas.



