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Desabafo da mãe de menino encontrado dentro de mala causa comoção

Belém amanheceu em luto e indignação. A morte de Paulo Guilherme Guerra, um menino de apenas 6 anos, chocou a capital paraense e mobilizou todo o país. Após desaparecer na noite do último domingo (26 de outubro), o corpo da criança foi encontrado dentro de uma mala, em frente ao cemitério São Jorge, no bairro de Marambaia, na manhã da segunda-feira (27).

O caso, de uma brutalidade que desafia a compreensão, vem sendo investigado pela Polícia Civil, que tenta entender o que aconteceu nas horas entre o desaparecimento e a descoberta do corpo.

Em entrevista emocionada à RBATV, Raíssa, mãe de Paulo, relembrou os últimos momentos ao lado do filho. “Ele tinha ido com um coleguinha dele pegar uns brinquedos. Fiquei em casa achando que depois ele ia pra casa da minha mãe, como sempre fazia. Passou o tempo e eu pensei: acho que ele foi pra lá dormir. Sempre pedia pra dormir com a vovó”, contou, com a voz embargada.

A rotina citada por Raíssa era comum. Paulo era muito apegado à avó e frequentemente passava as noites em sua casa, que fica a poucas ruas de distância. “Ele era muito carinhoso, muito grudado nela. Eu nunca imaginei que seria diferente dessa vez”, desabafou a mãe, em meio às lágrimas.

O desaparecimento só foi percebido na manhã seguinte, quando Raíssa tentou falar com o filho e descobriu que ele não havia chegado à casa da avó. Desesperada, ela acionou vizinhos e iniciou as buscas. Horas depois, a tragédia foi confirmada.

De acordo com testemunhas, uma pessoa que passava em frente ao cemitério notou uma mala abandonada na calçada. Ao se aproximar e abrir o objeto, se deparou com o corpo de uma criança — era Paulo Guilherme. O local foi imediatamente isolado, e a perícia criminal recolheu o material para análise.

O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde passará por exames que devem apontar a causa da morte. De forma preliminar, os peritos não encontraram sinais visíveis de violência, o que levanta a possibilidade de morte por asfixia, hipótese que será confirmada ou descartada após o laudo oficial.

A comoção popular foi tamanha que, poucas horas depois da descoberta, a tragédia teve outro desdobramento. George Amilton dos Santos Gonçalves, catador de materiais recicláveis e morador da mesma rua da família da vítima, foi apontado por populares como suspeito de envolvimento no crime.

Antes que a polícia pudesse agir, um grupo invadiu sua residência e o espancou até a morte. Apesar das suspeitas, as autoridades ainda não confirmaram qualquer ligação de George com o assassinato do menino. A Polícia Civil alerta que o caso continua sob investigação e pede calma à população.

O bairro de Marambaia, acostumado a ser tranquilo, agora respira medo e tristeza. Nas redes sociais, moradores e desconhecidos lamentam a morte de Paulo e se solidarizam com a família. “Um anjo se foi, e o coração de uma mãe se partiu”, escreveu uma vizinha.

Enquanto a cidade tenta lidar com o luto, a mãe de Paulo Guilherme resume o sentimento que ecoa entre todos: “Nada vai trazer meu filho de volta. Eu só quero justiça e que ele descanse em paz.”

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