Vídeo: Polícia reabre caso para analisar se morte de Lázaro foi execução e responsabilizar envolvidos

O caso envolvendo Lázaro Barbosa, ocorrido em 2021, voltou a ganhar destaque após novas movimentações do Ministério Público de Goiás (MPGO). À época, o episódio gerou enorme repercussão nacional, dominando manchetes, debates públicos e redes sociais. Lázaro ficou conhecido como um criminoso de alta periculosidade, apelidado de “serial killer do Distrito Federal”, após uma série de assassinatos, invasões a propriedades rurais e confrontos armados. O caso mobilizou grandes equipes policiais e provocou medo em comunidades inteiras na região entre Goiás e o Distrito Federal.
A caçada a Lázaro começou após ele invadir uma chácara e matar quatro pessoas da mesma família: Cleonice Marques de Andrade, de 43 anos; seu marido, Cláudio Vidal de Oliveira, de 48; e os filhos do casal, Gustavo Marques Vidal, de 21 anos, e Carlos Eduardo Marques Vidal, de 15. A brutalidade do crime despertou comoção e indignação imediatas. Após o massacre, Lázaro fugiu para uma área de mata extensa, o que desencadeou uma operação policial de grandes proporções. Durante 20 dias, ele foi procurado intensamente por equipes da Polícia Militar, Polícia Civil e forças de inteligência, em uma operação considerada uma das maiores já realizadas no estado.
Moradores da região viveram dias de tensão, com escolas fechadas, fazendas esvaziadas e bloqueios policiais constantes. A mídia acompanhava cada movimento, tornando a caçada nacionalmente conhecida. As redes sociais, por sua vez, transformaram o caso em um verdadeiro fenômeno, gerando teorias, discussões e até conteúdos sensacionalistas.
Após quase três semanas de busca, Lázaro foi localizado na zona rural de Águas Lindas de Goiás. Houve confronto e ele acabou baleado diversas vezes. Apesar de ter sido socorrido e levado ao hospital, morreu pouco depois. A Polícia Militar sustentou que os disparos ocorreram em legítima defesa, afirmando que o suspeito reagiu à abordagem.
A Corregedoria da PMGO realizou uma investigação interna e concluiu que os policiais agiram conforme a lei. No entanto, o MPGO identificou inconsistências nos documentos apresentados. Segundo o órgão, faltaram detalhes nos relatórios médicos, assim como depoimentos de alguns agentes envolvidos, laudos periciais completos e registros fotográficos e audiovisuais do local da morte.
Por conta dessas lacunas, o Ministério Público solicitou a reabertura do caso, com o objetivo de esclarecer todas as circunstâncias da morte de Lázaro. A nova investigação deverá ouvir novamente policiais que atuaram na operação, familiares do suspeito e testemunhas. O MPGO também quer acesso a filmagens de câmeras de segurança da região, que não haviam sido anexadas ao processo inicial.
A reabertura não tem como objetivo inocentar Lázaro ou revisar os crimes cometidos por ele, mas sim garantir transparência e rigor jurídico no procedimento policial. A discussão reacende debates sobre o uso da força, protocolos de abordagem e atuação de agentes de segurança em situações de alta periculosidade.
O caso, além de trágico, permanece como um marco da comoção coletiva e da complexidade na gestão de crises envolvendo criminosos violentos.



