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Professora de 62 anos mata namorado de 21 anos, motivo deixa todos em choque

Uma história que parece saída de um filme policial chocou os moradores de Bebedouro (SP) nesta sexta-feira (24). A professora de estética Jussara Luzia Fernandes, de 62 anos, foi presa em flagrante após confessar ter matado o namorado, Alex Sandro da Silva Rocha, de apenas 21 anos, e enterrado o corpo no quintal de sua residência, no bairro Eldorado. O caso, repleto de detalhes macabros e contradições, está sendo investigado pela Polícia Civil e já levanta suspeitas sobre outro episódio trágico envolvendo a professora — a morte misteriosa de seu ex-marido, em janeiro deste ano.

De acordo com informações da Secretaria Municipal de Segurança Pública, a Guarda Civil Municipal (GCM) recebeu uma denúncia anônima relatando um possível homicídio ocorrido na casa de Jussara. Quando os agentes chegaram ao local, acompanhados pela Polícia Militar, notaram sinais de terra remexida no quintal, o que levantou suspeitas imediatas. Questionada, a mulher tentou disfarçar: disse que o buraco havia sido feito para enterrar um cachorro. A versão, no entanto, não convenceu os policiais.

Pressionada pelos agentes, Jussara acabou caindo em contradição e, minutos depois, confessou o crime. Segundo ela, o assassinato teria ocorrido entre a noite de terça-feira (21) e a madrugada de quarta (22), após uma discussão intensa com o namorado dentro da residência. Em seu depoimento, afirmou que o jovem teria pegado uma faca para ameaçá-la, e que, em “legítima defesa”, pegou uma tesoura e o atacou. O exame necroscópico, porém, revelou um cenário bem mais brutal do que o descrito pela suspeita.

De acordo com o delegado João Vitor Silvério, responsável pelo caso, Alex foi atingido por pelo menos 40 golpes, concentrados principalmente no tórax e nas costas. “Ainda que ela alegue legítima defesa, há um excesso evidente. A perícia aponta uma ação descontrolada e violenta”, afirmou o delegado. Após perceber que o companheiro havia morrido, Jussara disse ter entrado em desespero e telefonado para o filho, que teria ido até a casa pouco depois.

Segundo as investigações, o filho da professora ajudou a arrastar o corpo, que foi enrolado em um tapete e levado até o quintal. Ele teria orientado a mãe a “esperar alguns dias antes de procurar a polícia”. Ainda de acordo com Jussara, o corpo foi enterrado porque ela “não queria deixá-lo exposto”. Para isso, a mulher teria pagado R$ 50 a um conhecido para cavar uma vala, alegando que o buraco seria usado para enterrar um cachorro de grande porte. O homem, que realmente acreditava na história, foi ouvido e liberado, já que não tinha conhecimento do crime.

Após o buraco ser aberto, Jussara enterrou o corpo sozinha, segundo seu próprio relato. O Corpo de Bombeiros foi acionado para remover o cadáver após a confissão. Diante das evidências e da gravidade do crime, a professora foi presa em flagrante por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Ela permanece detida na Cadeia Pública de Bebedouro e deve passar por audiência de custódia neste sábado (25).

Durante a apuração, um detalhe ainda mais inquietante veio à tona: em janeiro deste ano, o ex-marido de Jussara foi encontrado morto dentro da piscina da casa onde o casal morava. Na época, o caso foi tratado como morte acidental, mas diante do novo homicídio, o delegado determinou a reabertura da investigação. “Ela admitiu ter matado o companheiro alegando legítima defesa. No entanto, o número de perfurações e o modo como o corpo foi ocultado indicam excesso de violência e tentativa de se livrar do cadáver. Precisamos entender se esse padrão se repete”, explicou Silvério.

O caso tem gerado forte repercussão na cidade e nas redes sociais. Moradores descrevem Jussara como uma mulher “tranquila e educada”, sem histórico de conflitos aparentes. Entretanto, para a polícia, o comportamento após o crime e o esforço em esconder o corpo demonstram frieza e premeditação. As próximas etapas da investigação devem determinar se ela agiu em legítima defesa ou se houve intenção deliberada de matar. Enquanto isso, Bebedouro segue atônita diante de uma tragédia que expôs os limites da violência doméstica e da mente humana.

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