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Comunicamos a morte do secretário Evandro Frigo

A cidade de Lages despertou nesta sexta-feira, 24 de outubro, sob um silêncio diferente. Não era apenas o frio cortante típico da Serra Catarinense. Havia algo mais pesado no ar, algo que percorreu os corredores das repartições públicas, invadiu as rodas de conversa e se espalhou pelos celulares ainda sonolentos. Uma notícia havia sido confirmada, mas ninguém parecia pronto para aceitá-la. Era como se, de repente, o tempo tivesse decidido desacelerar.

O nome, quando dito pela primeira vez, causou perplexidade. Todos sabiam de quem se tratava. Uma figura conhecida, respeitada, constantemente lembrada por seu jeito calmo, ponderado, pela maneira com que enfrentava problemas sem elevar a voz. Evandro Frigo Pereira, 47 anos. Ex-prefeito de Urupema. Secretário da Fazenda de Lages. Um homem que transitava pela política como quem caminha em terreno conhecido: com segurança, serenidade e sem fazer alarde.

A Prefeitura de Lages publicou uma nota. Curta. Sóbria. Sem espaço para dúvidas. O texto lamentava profundamente a perda, destacando sua dedicação ao serviço público, sua competência e seu compromisso com o desenvolvimento da Serra. Mas, entre as linhas, havia um vazio. Uma ausência incômoda. Algo que não se dizia.

Nas redes sociais, as mensagens começaram a surgir ainda antes do amanhecer completo. “Não pode ser.” “Não é verdade.” “Por quê?” Eram frases que, repetidas, formavam um coro de incredulidade. Amigos próximos se manifestavam com voz embargada. Colegas de longa data relembravam projetos, reuniões, viagens. Mais do que um político, Evandro parecia ser lembrado como alguém que estava sempre disposto a ouvir — qualidade rara e valiosa.

Para muitos, sua trajetória falava por si. Formado em Ciências Contábeis pela Uniplac, era conhecido como um gestor rigoroso, analítico, incansável no trabalho. Atuou por nove anos como controlador interno em Urupema, onde deixou reputação de seriedade e ética. Depois, assumiu cargos de responsabilidade na própria universidade, onde muitos ainda se referiam a ele como “profissional exemplar”. Em 2017, o destino o conduziu ao cargo de prefeito. Dois mandatos consecutivos. Projetos de turismo, melhorias estruturais, uma cidade que, aos poucos, começava a ser vista com novos olhos.

Sua passagem para Lages foi natural. Em 2025, aceitou o desafio de assumir a Secretaria da Fazenda. Um posto estratégico. Um papel delicado. Mas que ele desempenhava com a tranquilidade de quem compreendia cada número, cada decisão, cada impacto.

Por isso, a notícia desta manhã soou tão deslocada da realidade. Como algo que não se encaixava.

Evandro foi encontrado sem vida dentro de sua própria casa.

Sem testemunhas.
Sem aviso.
Sem explicação.

As autoridades ainda não divulgaram a causa da morte.

E é justamente esse silêncio — este último detalhe não revelado — que faz a Serra, hoje, respirar mais devagar.

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