Advogada é encontrada sem vida dentro de casa

Uma tragédia chocou os moradores de Curvelo, cidade localizada no interior de Minas Gerais, na manhã desta quarta-feira (22). Um casal foi encontrado morto dentro da própria residência, em um caso que, segundo as primeiras informações da polícia, pode ter sido um feminicídio seguido de suicídio. A história tem gerado comoção na cidade e reacendido um debate doloroso, mas necessário, sobre os riscos de violência em momentos de ruptura conjugal.
Tudo começou quando familiares perceberam algo estranho. Após diversas tentativas de contato telefônico sem resposta, o cunhado da mulher decidiu ir até a casa do casal. Ao chegar, encontrou o portão trancado e, preocupado, pulou o muro para verificar o que estava acontecendo. A cena que viu foi devastadora. Ele imediatamente acionou as autoridades e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), que confirmou as mortes no local.
De acordo com os dados preliminares da Polícia Militar, a mulher, de 35 anos, planejava formalizar a separação. O homem, de 41, não teria aceitado o fim do relacionamento. As investigações indicam que ele pode ter tirado a vida da companheira antes de cometer suicídio. O filho pequeno do casal, de apenas dois anos, estava na creche no momento da tragédia — um detalhe que, apesar de poupar a criança de presenciar o ocorrido, torna a história ainda mais triste.
A perícia encontrou a mulher dentro do quarto, com ferimentos provocados por um objeto perfurocortante, que foi deixado ao lado do corpo. Já o homem foi localizado na área externa da casa. De acordo com os peritos, havia sinais de que a vítima tentou se defender, o que reforça a hipótese de feminicídio.
Nenhum registro anterior de violência doméstica havia sido feito contra o casal, o que, segundo especialistas, é comum em muitos casos semelhantes — quando a violência se manifesta de forma abrupta, após uma série de conflitos silenciosos. Os investigadores recolheram os celulares e um equipamento de câmeras internas, que podem conter imagens ou áudios capazes de ajudar a esclarecer a dinâmica dos fatos.
A Polícia Civil agora analisa os laudos periciais e o conteúdo dos aparelhos eletrônicos para entender com mais precisão o que aconteceu. O objetivo é não apenas elucidar o crime, mas também reunir informações que possam contribuir com políticas públicas de prevenção.
Infelizmente, o caso de Curvelo se soma a uma estatística alarmante. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2023 o Brasil registrou mais de 1.400 feminicídios — a maioria cometidos por parceiros ou ex-parceiros dentro de casa. Pesquisas apontam que o momento da separação é o mais perigoso para mulheres em relacionamentos abusivos, especialmente quando não há uma rede de apoio ou acompanhamento psicológico adequado.
Enquanto os corpos foram liberados para sepultamento, a cidade ainda tenta compreender o que levou a mais essa tragédia. Amigos e familiares da vítima relataram que ela vinha tentando reconstruir a vida, e que ninguém poderia imaginar um desfecho tão cruel.
Casos como esse escancaram a urgência de se falar, com mais seriedade, sobre a violência de gênero e a importância de oferecer caminhos seguros para quem deseja sair de um relacionamento. Porque, como dizem os especialistas, o silêncio e o medo ainda são os maiores aliados da violência.



