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Idosos são encontrados amarrados à cama em asilo no Rio

Um caso chocante de negligência e maus-tratos contra idosos foi registrado nesta quarta-feira (22) no bairro do Catumbi, região central do Rio de Janeiro. Agentes da Secretaria de Envelhecimento Saudável da Prefeitura encontraram três pessoas idosas amarradas às camas no Lar de Serepta, um asilo que já havia sido fechado em 2024 por irregularidades e não deveria estar em funcionamento.

Segundo a Prefeitura, os idosos tinham as mãos presas às laterais das camas com retalhos de pano. Ao todo, a instituição abrigava 21 pessoas, sendo 16 mulheres e cinco homens. No momento da fiscalização, três cuidadores estavam presentes, mas não houve qualquer resposta da administração do local quando a reportagem tentou contato via telefone e mensagens.

A denúncia partiu de um familiar, que acionou as autoridades ao perceber sinais de maus-tratos. A ação da Secretaria foi acompanhada pela Polícia Civil, por meio da Deapti (Delegacia de Atendimento à Pessoa da Terceira Idade), garantindo respaldo legal à operação. Com a interdição, alguns idosos foram resgatados pelos familiares ainda durante a manhã, enquanto os demais serão encaminhados a instituições regulares cadastradas pela Prefeitura.

O estado do Lar de Serepta chamou atenção pelo descuido extremo com a saúde e bem-estar dos residentes. Segundo a gestão municipal, os medicamentos estavam mal armazenados, não havia proteínas na geladeira e o ambiente exalava forte odor de urina. Os próprios idosos relataram dores, mal-estar e demora no atendimento quando solicitavam auxílio dos funcionários. A situação evidencia falhas graves de cuidado e supervisão, configurando risco direto à saúde das pessoas idosas.

Outro ponto crítico é que a licença sanitária da instituição era para associação beneficente, e não para funcionar como instituição de longa permanência para idosos. Essa distinção é fundamental: associações beneficentes se enquadram em risco sanitário mínimo, enquanto asilos são avaliados como risco de médio a alto devido à vulnerabilidade de seus residentes. O funcionamento irregular, portanto, representava risco real e constante à saúde e segurança dos internos.

As autoridades anunciaram que os responsáveis, que não estavam presentes no local no momento da ação, serão investigados por exercício irregular de atividade e exposição de risco à saúde de pessoas idosas. A Polícia Civil reforçou que crimes de negligência em instituições desse tipo são tratados com rigor, considerando o impacto físico e emocional sobre os residentes.

Casos como o do Lar de Serepta evidenciam a necessidade de fiscalização contínua e rigorosa em instituições que cuidam de pessoas idosas. Especialistas em geriatria alertam que ambientes inadequados, falta de pessoal treinado e descumprimento de normas básicas de higiene e alimentação podem levar a complicações graves, incluindo desnutrição, infecções e sofrimento emocional prolongado.

Enquanto a investigação segue, a Prefeitura do Rio reforça a importância de denúncias por parte de familiares e da sociedade, lembrando que a proteção dos idosos é responsabilidade de todos. A ação desta quarta-feira deixa claro que a união entre fiscalização, polícia e familiares é fundamental para garantir que instituições de longa permanência cumpram seu papel de oferecer cuidado, dignidade e segurança às pessoas que mais precisam.

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