Amigo de vítima fatal em acidente que deixou 17 mortos faz revelação comovente

O Agreste Pernambucano ainda tenta digerir o impacto da tragédia que, na noite da última sexta-feira (17), vitimou 17 pessoas em um grave acidente na BR-423, entre Paranatama e Saloá. Entre os mortos estava o pernambucano Flávio José da Silva, de 45 anos, natural de Santa Cruz do Capibaribe — um homem conhecido pela fé, pelo trabalho e pela amizade sincera que cultivava.
De acordo com relatos de amigos próximos, o destino parecia ter mudado seus planos de última hora. O advogado Ulisses Mouzinho, amigo pessoal de Flávio, contou que ele não viajaria naquele ônibus, mas pegaria uma carona com um caminhoneiro vizinho para chegar à Bahia, onde realizaria negócios. “A gente ficou sabendo que ele não ia viajar nesse ônibus, que foi um acaso. Ele ia pegar uma carona com o vizinho caminhoneiro. Enfim, quando tem algo predestinado pelo céu, não tem quem peça”, disse Mouzinho, emocionado, em entrevista à TV Asa Branca, afiliada da Globo.
A morte de Flávio gerou profunda comoção em sua cidade natal. Casado e pai de um adolescente de 16 anos, ele era figura presente nas atividades religiosas da comunidade, participava de ações solidárias e era conhecido por oferecer ajuda a quem precisasse. O corpo foi velado e sepultado neste domingo (18), sob forte emoção. O templo onde ele costumava frequentar ficou lotado para o culto em homenagem à sua memória — um momento marcado por lágrimas, orações e abraços silenciosos.
O acidente que comoveu o país
O ônibus envolvido na tragédia partiu de Santa Cruz do Capibaribe com destino a Brumado (BA). Muitos passageiros haviam passado o dia no Moda Center Santa Cruz, o maior centro atacadista de confecções do Nordeste, e retornavam para casa após um dia intenso de trabalho.
A viagem, que deveria ser mais uma rotina entre feirantes e comerciantes, teve fim trágico ao alcançar o trecho sinuoso da Serra dos Ventos, por volta das 22h. Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o motorista perdeu o controle do veículo após uma possível falha no sistema de freios. O ônibus saiu da pista, colidiu contra rochas, voltou para a rodovia, atingiu um barranco de areia e capotou várias vezes antes de parar.
O impacto foi devastador. Muitos passageiros não utilizavam o cinto de segurança, o que aumentou o número de vítimas fatais — várias delas foram arremessadas para fora do veículo. Ao todo, 40 pessoas estavam a bordo, número abaixo da capacidade máxima, mas insuficiente para evitar o caos.
O motorista, que sobreviveu, foi submetido ao teste do bafômetro, sem apresentar sinais de embriaguez. Ele já prestou depoimento e deve ser novamente ouvido após a conclusão da perícia técnica, que investigará se houve falha mecânica ou erro humano.
Enquanto as investigações seguem, famílias em Pernambuco e na Bahia vivem dias de dor. As redes sociais estão repletas de homenagens, fotos e mensagens de despedida. Em Santa Cruz do Capibaribe, onde o comércio retomou as atividades com clima de luto, o nome de Flávio José é lembrado como símbolo de fé e generosidade.
“Ele era um homem de coração limpo. Trabalhou, ajudou muita gente e partiu cedo demais”, disse um dos colegas da igreja. E, diante de uma tragédia que abalou o país, fica o eco de uma lição amarga: a vida é breve, frágil, e cada despedida deixa marcas que o tempo não apaga.



