Amor que virou tragédia: mulher é morta pelo ex-marido

Um crime brutal chocou os moradores do Jardim Novo Maracanã, em Campinas (SP), na manhã deste sábado (18). Camila Oliveira Silva, de 33 anos, foi morta após ser atropelada propositalmente pelo ex-companheiro. O crime, que a Polícia Civil investiga como feminicídio, aconteceu na Rua Edis Pedro de Oliveira, por volta das 9h, e deixou ferida uma menina de 7 anos, filha do atual namorado da vítima. O suspeito fugiu logo após o atropelamento e segue foragido.
Segundo informações preliminares da Polícia Militar, Camila estava prestes a sair com o atual namorado quando o ex-companheiro apareceu de forma repentina. Testemunhas relataram que ela se preparava para entrar no carro do parceiro quando foi surpreendida pelo veículo do ex, que acelerou em sua direção. O impacto foi tão forte que arremessou a vítima a vários metros de distância. Mesmo caída, o motorista teria dado ré e passado novamente sobre o corpo da mulher antes de fugir.
A cena deixou os moradores em estado de choque. “Foi tudo muito rápido. A gente só ouviu o barulho forte e, quando olhamos, ela já estava caída no chão. A menina chorava muito e o homem acelerou e foi embora”, contou uma vizinha que presenciou o crime, mas preferiu não se identificar. A Polícia Civil colheu depoimentos e já tem a identificação completa do suspeito, que deve responder por feminicídio qualificado e tentativa de homicídio.
A criança de 7 anos, filha do atual namorado de Camila, também foi atingida durante o atropelamento. Ela foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levada ao hospital pediátrico Mário Gattinho, com ferimentos no braço. Segundo o boletim médico, a menina sofreu um trauma, mas está fora de perigo. O atual companheiro de Camila, que testemunhou a tragédia, está em estado de choque e recebe apoio psicológico.
Camila Oliveira Silva era conhecida entre amigos e familiares como uma mulher alegre, batalhadora e mãe dedicada. De acordo com pessoas próximas, ela havia terminado o relacionamento com o suspeito há alguns meses e vinha tentando recomeçar a vida ao lado do novo companheiro. “Ela vinha sofrendo ameaças, mas nunca imaginou que ele fosse capaz de algo assim”, afirmou uma amiga da vítima. O caso reacende o alerta sobre o aumento dos casos de violência contra a mulher e a necessidade de medidas protetivas mais eficazes.
De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, o estado registrou, apenas no primeiro semestre deste ano, mais de 80 casos de feminicídio. Campinas está entre as cidades com maior número de ocorrências. Especialistas apontam que muitos crimes poderiam ser evitados se as denúncias fossem tratadas com mais urgência e se houvesse acompanhamento psicológico e social tanto para as vítimas quanto para os agressores. “O feminicídio é o ponto final de uma escalada de violência que, muitas vezes, começa com ameaças e agressões verbais. É preciso agir no início”, explica a advogada e ativista dos direitos das mulheres, Juliana Tavares.
As autoridades pedem ajuda da população para localizar o suspeito, que segue foragido. Informações sobre o paradeiro do autor podem ser repassadas, de forma anônima, ao Disque Denúncia 181 ou à Polícia Militar, pelo telefone 190. Enquanto a investigação avança, familiares e amigos de Camila pedem justiça e reforçam a importância de denunciar casos de violência doméstica antes que se tornem irreversíveis. “Ela era uma mulher cheia de sonhos, e teve a vida tirada de forma cruel. Que ninguém mais passe por isso”, lamentou uma parente emocionada.
O caso de Camila Oliveira Silva é mais um triste lembrete de que o feminicídio continua sendo uma das formas mais cruéis de violência no país. Cada número nas estatísticas representa uma vida interrompida, uma família destruída e uma sociedade que precisa reagir



