Notícias

Lesão grave no cérebro: mulher falece ao ingerir ‘falsa couve’; 2 pessoas da família seguem internadas

A morte de Claviana Nunes da Silva, de 37 anos, em Patrocínio, no Alto Paranaíba, chocou familiares, amigos e toda a comunidade local. Conhecida pelo carinho e alegria que transmitia, Claviana perdeu a vida após ingerir uma planta tóxica conhecida como “falsa couve”, confundida com a verdura comum em uma refeição feita na zona rural do município. O caso aconteceu no dia 8 de outubro de 2025, quando ela e outras três pessoas passaram mal logo após o almoço. Apesar de todos terem sido socorridos com urgência, Claviana não resistiu às complicações e faleceu na segunda-feira, 13 de outubro, após uma semana de internação e uma piora significativa em seu quadro clínico.

Segundo o relato de uma amiga próxima, Gecia Cardoso, Claviana era uma mulher doce, afetuosa e brincalhona. “A Kaka, como gostava de ser chamada, era uma pessoa que abraçava todos, independente de quem fosse. Era muito carinhosa, amiga e divertida”, contou emocionada. As duas se conheceram quando trabalharam juntas em uma empresa de alimentos e mantiveram amizade mesmo após seguirem caminhos diferentes. Gecia recordou o momento em que soube da primeira gravidez da amiga, descrevendo a felicidade de Claviana ao se tornar mãe. Ela deixou dois filhos pequenos: uma menina de cinco anos e um menino de apenas um ano. Os pais de Claviana já haviam falecido, o que torna a perda ainda mais dolorosa para os familiares.

O velório de Claviana ocorre nesta terça-feira, 14 de outubro, na Funerária do Baiano, em Guimarânia, com o sepultamento programado para as 17h no Cemitério Municipal. A notícia da morte repercutiu fortemente nas redes sociais, onde amigos e moradores da região prestaram homenagens e expressaram solidariedade à família.

Além de Claviana, outras três pessoas foram intoxicadas após ingerirem a planta. Um homem de 67 anos recebeu alta no dia seguinte à internação, mas outros dois continuam hospitalizados. Um paciente de 60 anos está em estado grave, em coma induzido e respirando com ajuda de aparelhos, enquanto outro, de 64 anos, foi extubado no sábado, 11 de outubro, e apresenta quadro estável, embora permaneça na UTI para controle da pressão arterial. Uma criança de dois anos, que também estava no local, foi levada ao hospital apenas por precaução, já que não chegou a comer a planta.

De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, o grupo havia se mudado recentemente para a chácara onde ocorreu o acidente e acreditava que a planta era couve comum, devido à semelhança das folhas. A “falsa couve”, no entanto, trata-se da espécie Nicotiana glauca, também conhecida como charuteira, tabaco-arbóreo ou fumo-bravo. Essa planta é extremamente tóxica e contém um alcaloide chamado anabazina, capaz de causar paralisia muscular, respiratória e até levar à morte.

As equipes de socorro que atenderam a ocorrência relataram que as vítimas apresentavam sintomas graves de envenenamento e chegaram a sofrer parada cardiorrespiratória, revertida ainda no local. Parte da planta foi recolhida para análise pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte, que deverá confirmar a presença das substâncias tóxicas. A Secretaria de Saúde informou que fragmentos da planta também foram encontrados na arcada dentária de Claviana, reforçando o diagnóstico de intoxicação por ingestão da Nicotiana glauca. A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar o caso, cuja principal hipótese é de envenenamento acidental.

A professora e pesquisadora da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Amanda Danuello, especialista em química de produtos naturais, explicou como diferenciar a “falsa couve” da verdadeira. Segundo ela, as folhas da Nicotiana glauca têm coloração verde-acinzentada, textura aveludada e são mais finas do que as da couve comum, que apresenta um tom de verde mais escuro, nervuras bem marcadas e espessura grossa. A docente alerta que a distinção pode ser difícil para pessoas sem conhecimento técnico, especialmente quando as plantas não estão lado a lado. “A dica é simples: nunca consuma folhas de origem desconhecida. Se não tiver certeza da procedência, o melhor é evitar”, afirmou.

Amanda também destacou que o modo de preparo pode influenciar na toxicidade da planta. Dependendo de como é cozida ou refogada, a concentração de substâncias venenosas pode variar, agravando os efeitos da intoxicação. Não existe antídoto caseiro para os efeitos da Nicotiana glauca, e qualquer ingestão acidental exige atendimento médico imediato. Quanto mais rápido for o socorro, maiores são as chances de recuperação.

O trágico episódio serve de alerta para famílias que vivem em áreas rurais ou que têm o hábito de colher alimentos em quintais e chácaras. A semelhança entre plantas tóxicas e comestíveis é um risco real e pode causar consequências fatais, como no caso de Claviana Nunes da Silva. Sua morte sensibiliza pela forma repentina e pelo impacto deixado nos dois filhos pequenos e nos amigos que guardam a lembrança de uma mulher alegre, generosa e cheia de vida. A história de Claviana é também um lembrete sobre os perigos escondidos na natureza e a importância de buscar informação e cuidado antes de consumir qualquer alimento de procedência duvidosa.

Mostrar mais

LEIA TAMBÉM: