Dois ciclones causam destruição e deixam muitas famílias desabrigadas

O último fim de semana foi de tensão e destruição nos Estados Unidos. Em um fenômeno climático raro, o país enfrentou simultaneamente dois ciclones que atingiram regiões opostas — o Oeste e o Leste — deixando um rastro de prejuízos, evacuações e emergências declaradas.
O primeiro deles foi o remanescente do tufão Halong, que atingiu o Alasca com a força de um furacão. Ventos violentos, chuva congelada e marés excepcionais atingiram comunidades costeiras, especialmente no delta do Kuskokwim e na região de Kotzebue Sound. O segundo fenômeno, o ciclone extratropical Nor’easter, avançou pela Costa Leste e castigou cidades densamente povoadas, como Nova York e Long Island, com ventos fortes e chuvas torrenciais.
Alasca em alerta máximo
No extremo norte, o impacto do Halong foi sentido desde o fim da semana passada. O mar subiu de forma impressionante, e o marégrafo de Kotzebue Sound chegou a marcar 2,4 metros de altura, ultrapassando em mais de 1,5 metro o nível considerado normal. Esse aumento repentino causou alagamentos generalizados, destruindo casas de madeira, invadindo escolas e bloqueando estradas costeiras.
As comunidades mais afetadas foram Kipnuk e Kwigillingok, pequenas vilas com população majoritariamente indígena. Nelas, o acesso só é possível por barco ou avião, o que dificultou a chegada de ajuda. A Guarda Costeira dos Estados Unidos foi mobilizada para resgatar famílias isoladas e transportar suprimentos básicos, como alimentos e cobertores.
Segundo as autoridades locais, o cenário é de devastação. “Muitos moradores perderam tudo. As casas foram levadas pela maré e o frio intenso agrava a situação”, relatou um porta-voz do governo do Alasca. A Cruz Vermelha Americana também atua na região, oferecendo abrigo temporário em escolas e ginásios.
Nor’easter paralisa a Costa Leste
Enquanto o Alasca enfrentava a fúria do Pacífico, o outro lado do país sofria com a força do Atlântico. O Nor’easter, típico das estações de transição, avançou das Carolinas até a Nova Inglaterra, provocando chuvas incessantes e ventos que chegaram a 120 km/h em alguns pontos.
Nova York, Long Island e o Condado de Westchester decretaram estado de emergência ainda no domingo (12). Ruas ficaram submersas, estações de metrô foram fechadas e dezenas de voos precisaram ser cancelados. Em partes do litoral, a maré de tempestade provocou erosão severa nas praias, especialmente em áreas vulneráveis como Fire Island e Montauk.
O Centro Estadual de Operações de Emergência foi ativado para coordenar os resgates e monitorar o avanço da tempestade. “Estamos lidando com uma situação complexa. O vento está arrancando árvores e telhados, e as chuvas continuam intensas”, declarou Kathy Hochul, governadora de Nova York, em entrevista à imprensa.
Famílias desabrigadas e incertezas
Em todo o país, centenas de famílias estão desalojadas. Muitas ainda aguardam a água baixar para avaliar os danos. As equipes de resgate trabalham dia e noite, enquanto meteorologistas alertam para novas formações de baixa pressão que podem agravar o quadro nos próximos dias.
Embora os Estados Unidos estejam acostumados a tempestades poderosas, enfrentar dois ciclones simultâneos em lados opostos do território é algo que poucos lembram ter visto. A natureza, mais uma vez, mostrou sua força — e lembrou o país da importância da preparação diante de um clima cada vez mais imprevisível.



