Menino emociona a todos no dia da ‘mochila maluca’ ao levar caixão

Na última semana, uma cena inusitada e profundamente comovente tomou conta das redes sociais e do coração dos moradores de Ouro Preto do Oeste, em Rondônia. Durante a atividade escolar conhecida como “Dia da Mochila Maluca”, o pequeno Arthur Santos, de apenas oito anos, decidiu prestar uma homenagem tocante ao pai, que faleceu em um acidente de trânsito enquanto trabalhava como agente funerário.
Ao contrário das mochilas transformadas em caixas de som, bonecos ou utensílios de cozinha — como é comum nessa brincadeira escolar —, Arthur apareceu com algo bem diferente: um caixão feito de papelão. A ideia, segundo sua mãe, Darelle Santos, partiu inteiramente dele. “Quando sugeri fazermos uma mochila diferente, ele respondeu: ‘Mamãe, quero um caixão’. Eu até hesitei, mas ele insistiu com tanta certeza que resolvi apoiar”, contou emocionada.
O gesto, longe de qualquer intenção polêmica, foi movido pelo amor e pela saudade. Arthur sempre demonstrou admiração pelo pai e dizia que queria seguir a mesma profissão. Para realizar a homenagem, contou com a ajuda do tio, que o auxiliou a montar o pequeno caixão com papelão e tinta. O resultado surpreendeu colegas, professores e todos que presenciaram a cena.
No dia da apresentação, Arthur entrou na escola com o objeto cuidadosamente decorado, um sorriso no rosto e o brilho nos olhos de quem carrega uma memória preciosa. Em pouco tempo, a imagem se espalhou pela cidade e, depois, por todo o país. As redes sociais se encheram de mensagens de apoio, admiração e carinho. “Ele transformou a dor em orgulho. É uma lição para todos nós”, comentou uma internauta em uma das publicações que viralizou no Instagram.
De acordo com a direção da escola, o menino demonstrou maturidade surpreendente ao explicar o motivo da escolha. “Ele disse que o pai cuidava das pessoas até o último momento e que queria mostrar o quanto o amava”, relatou uma das professoras. O gesto, simples e genuíno, emocionou até quem não conhecia a história da família.
O pai de Arthur, que trabalhava em uma funerária da cidade, era muito conhecido e respeitado pela comunidade local. Sua morte, causada por um acidente de trânsito há alguns meses, deixou uma lacuna dolorosa. Ainda assim, o menino encontrou uma forma pura de manter viva a lembrança daquele que chamava de herói.
O episódio ultrapassou o ambiente escolar e tornou-se um símbolo de amor filial. Em tempos em que a internet muitas vezes se destaca por conteúdos fúteis ou agressivos, a história de Arthur lembrou ao público o poder da inocência e da gratidão. Não foi apenas uma criança participando de uma brincadeira: foi um filho demonstrando que o amor verdadeiro não se apaga com o tempo nem com a distância.
Darelle, orgulhosa e emocionada, finalizou dizendo que o gesto do filho trouxe um misto de lágrimas e conforto. “Ver ele sorrindo, falando do pai com tanto orgulho, me fez perceber que o amor vence até a dor”, disse.
Assim, entre papelão, cola e lembranças, o pequeno Arthur transformou o Dia da Mochila Maluca em uma das histórias mais lindas do ano — uma lição silenciosa sobre saudade, coragem e amor eterno.



