Sobe para cinco o número de mortos por bebida com metanol em SP, Tarcísio em sua fala cita o PCC

O estado de São Paulo enfrenta uma grave crise de saúde pública após a confirmação de cinco mortes relacionadas à intoxicação por metanol. A informação foi divulgada nesta terça-feira (30) pelo secretário estadual da Saúde, Eleuses Paiva, durante entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes. Além dos óbitos, já foram contabilizados 22 casos envolvendo a substância: sete confirmados e outros quinze ainda em investigação. Até o momento, apenas uma das mortes foi comprovadamente causada pela ingestão de bebida adulterada, mas o número crescente de ocorrências preocupa as autoridades.
O governador Tarcísio de Freitas participou da coletiva ao lado de Paiva e do secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite. Em sua fala, o chefe do Executivo paulista procurou afastar rumores de que as intoxicações estariam ligadas ao crime organizado. “Tudo o que acontece agora em SP é PCC. Não tem evidência nenhuma de participação do crime organizado nisso”, afirmou, em referência ao Primeiro Comando da Capital, facção que costuma ser citada em episódios de grande repercussão no estado. A declaração buscou acalmar a população diante da gravidade do episódio, reforçando que não há, por ora, indícios de envolvimento de grupos criminosos.
Ainda assim, o governo estadual e as forças de segurança tratam a situação com cautela. O consumo de bebidas adulteradas não é novidade no país, mas os números registrados em São Paulo levantam um alerta pela velocidade com que os casos surgiram. O secretário Eleuses Paiva destacou que equipes de saúde estão mobilizadas em diversas regiões do estado para identificar sintomas de intoxicação e orientar hospitais sobre protocolos de atendimento. “Estamos diante de uma emergência que exige ação coordenada para salvar vidas e impedir novas ocorrências”, ressaltou.
O metanol, substância encontrada em solventes e produtos industriais, é altamente tóxico quando ingerido. Seu uso em bebidas é proibido pela legislação brasileira, mas adulteradores recorrem a ele pelo baixo custo e pela semelhança com o etanol. O problema é que mesmo pequenas quantidades podem causar cegueira, falência de órgãos e morte. Para especialistas, a situação em São Paulo evidencia a necessidade de fiscalização mais rigorosa em bares, distribuidoras e pontos de venda informais, especialmente em datas festivas, quando cresce o consumo de bebidas de origem duvidosa.
A gravidade do cenário mobilizou também o governo federal. Na segunda-feira (29), a Polícia Federal instaurou inquérito para apurar a origem do metanol utilizado e rastrear a possível rede de distribuição clandestina. O anúncio foi feito pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que classificou o caso como “fora dos padrões comuns”. Segundo ele, as investigações buscam esclarecer se a distribuição da substância ultrapassa os limites de São Paulo, podendo representar risco para outros estados. “Estamos diante de uma ameaça real à saúde pública que precisa ser contida com máxima urgência”, afirmou o ministro.
O inquérito da PF deve cruzar informações de laboratórios, hospitais, órgãos de vigilância sanitária e forças de segurança para mapear rotas e responsáveis. A expectativa é que a cooperação entre esferas estadual e federal acelere a identificação de suspeitos. Embora os casos estejam, por enquanto, restritos a São Paulo, a possibilidade de circulação da substância em outras regiões não é descartada. Autoridades alertam que o combate à prática criminosa passa não apenas pela repressão policial, mas também pela conscientização da população em evitar o consumo de produtos sem registro e procedência confiável.
Para além do impacto imediato sobre as vítimas e seus familiares, o episódio reacende o debate sobre a fragilidade da fiscalização no mercado de bebidas no Brasil. A combinação entre a busca por preços baixos e a circulação de produtos ilegais abre espaço para tragédias como a que se desenha em São Paulo. Enquanto as investigações avançam, especialistas reforçam que a melhor forma de prevenção é a informação: desconfiar de preços muito abaixo do mercado, verificar selos de autenticidade e dar preferência a estabelecimentos regulares. A crise atual funciona como um alerta doloroso de que a negligência com a saúde pública cobra um preço alto — e, neste caso, vidas já foram perdidas.



