Notícias

Metanol na bebida: empresário de 38 anos é mais uma vítima após 20 dias de internação

A crise provocada por bebidas alcoólicas adulteradas em São Paulo ganhou mais um desdobramento nesta quarta-feira, 1º de outubro. A morte de Marco Aurélio Sumam, empresário de 38 anos, foi oficialmente confirmada, ampliando a lista de vítimas do envenenamento por metanol. O caso, registrado no 2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo, reforça o temor de que uma rede criminosa esteja operando na adulteração de destilados amplamente consumidos, como gin, vodca e uísque.

Marco, conhecido entre amigos por seu gosto por heavy metal e por comandar uma empresa de gravuras, passou mal no dia 28 de agosto, em Itu. Os primeiros sintomas surgiram de forma brusca: dificuldade para respirar, confusão mental e alterações na fala. Em depoimento, sua esposa contou que notou um “odor característico de álcool” no hálito dele antes do quadro se agravar. Levado às pressas para o hospital, ele permaneceu internado por quase três semanas, mas não resistiu. O relatório médico confirmou a intoxicação por metanol como causa da morte.

A tragédia se soma a outras já sob investigação. Entre os casos confirmados está o do advogado Marcelo Macedo Lombardi, de 45 anos, que também faleceu após consumir bebidas suspeitas. Além dessas duas vítimas, a Polícia Civil analisa ao menos quatro outras mortes que podem estar ligadas ao mesmo esquema. Paralelamente, seis pessoas seguem internadas, algumas em estado considerado crítico.

O metanol, substância normalmente utilizada como solvente industrial, é altamente perigoso para o consumo humano. Diferente do etanol, usado nas bebidas comuns, até pequenas doses podem levar a complicações sérias, como cegueira irreversível, danos neurológicos permanentes e até mesmo a morte. A gravidade da situação levou a Secretaria de Segurança Pública a emitir um alerta para hospitais e prontos-socorros de todo o estado, orientando equipes médicas a notificarem imediatamente casos suspeitos de intoxicação.

O impacto da morte de Marco Aurélio extrapolou os limites familiares. Nas redes sociais, a notícia rapidamente repercutiu, despertando revolta e exigências por maior fiscalização. “Não é possível que algo tão grave aconteça e ninguém seja responsabilizado. Isso é uma tragédia anunciada”, escreveu um internauta em um debate sobre segurança alimentar. Em fóruns e grupos de consumidores, a sensação é de insegurança e desconfiança em relação às bebidas alcoólicas disponíveis no mercado.

Para comerciantes, o efeito foi imediato. Bares e restaurantes em diversas cidades da Grande São Paulo relataram queda no movimento. Alguns passaram a exibir publicamente notas fiscais e certificados de origem das bebidas vendidas, numa tentativa de resgatar a confiança da clientela. Ainda assim, a cautela prevalece.

Enquanto isso, os laudos toxicológicos do Instituto Médico Legal (IML) são aguardados para confirmar oficialmente a presença de metanol em todas as vítimas investigadas. As autoridades reforçam que a apuração busca identificar não apenas os responsáveis diretos pela adulteração, mas também possíveis fornecedores que estejam abastecendo o mercado ilegal com produtos contaminados.

A cada nova morte ou internação, fica evidente que a crise vai muito além de uma questão de mercado clandestino. Trata-se de um problema de saúde pública que exige ação imediata, tanto das forças policiais quanto dos órgãos de vigilância sanitária. A tragédia de Marco Aurélio, assim como a de outros que perderam a vida, é um alerta de que o consumo de bebidas sem procedência confiável pode custar caro — e, infelizmente, irreversivelmente, a própria vida.

Mostrar mais

LEIA TAMBÉM: