Levantamento Quaest divulgado nesta quarta-feira, 16, mostra que a percepção de honestidade entre os principais candidatos à Presidência é dividida e, em muitos casos, negativa. Em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 49% dos entrevistados avaliam que ele não é honesto, enquanto 28% consideram que sim. Outros 23% dizem não conhecer o suficiente, não sabem ou não responderam. Os números revelam um quadro de desconfiança ampla, com avaliações positivas ainda distantes da maioria.
No caso do senador Flávio Bolsonaro (PL), o cenário é semelhante, embora com proporções distintas. 42% consideram que ele não é honesto, 23% avaliam positivamente e 35% não conhecem o suficiente ou não opinam. O índice de desconhecimento é maior do que o registrado para Lula, indicando que o candidato ainda precisa ampliar sua presença junto a parcelas significativas do eleitorado antes do dia da votação.
Os demais postulantes ao Palácio do Planalto aparecem com índices de reconhecimento muito menores. Augusto Cury (Avante) tem 17% de avaliação positiva, 6% negativa e 77% de desconhecimento. Ronaldo Caiado (PSD) soma 14% de aprovação, 9% de reprovação e também 77% de desconhecimento. Romeu Zema (Novo) tem 13% de avaliação positiva, 10% negativa e 77% sem opinião. Renan Santos (Missão) registra 6% de aprovação, 8% de reprovação e 86% de desconhecimento. A grande maioria dos eleitores ainda não forma juízo sobre esses nomes.
A avaliação sobre Lula varia conforme a região e o perfil do entrevistado. No Nordeste, 45% o consideram honesto, índice que chega a 69% entre eleitores que se declaram alinhados com sua base. A nota positiva também é maior entre pessoas com Ensino Fundamental (36%), pretas (36%) e com renda de até dois salários mínimos (33%). No Sudeste, por outro lado, 61% o veem como não honesto; entre eleitores de direita não bolsonaristas, esse percentual atinge 85%. A avaliação negativa também é expressiva entre evangélicos (59%), jovens de 16 a 34 anos (55%) e quem tem Ensino Médio (59%).
Para Flávio Bolsonaro, a divisão também segue linhas regionais e ideológicas. Entre bolsonaristas, 60% o consideram honesto. A avaliação positiva é maior entre evangélicos (30%), pessoas com Ensino Superior (30%) e moradores do Sudeste (29%). Já no Nordeste, 55% não o veem como honesto; entre eleitores de esquerda não lulista, o índice chega a 73%. A reprovação também aparece entre pessoas pretas (48%), católicos (45%) e quem tem renda de até dois salários mínimos (44%). Os dados mostram que a identidade do eleitorado se reflete diretamente na confiança depositada nos candidatos.
O levantamento foi encomendado pela Globo e pelo O Globo, ouvindo 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%, e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-03607/2026. Os resultados refletem o momento da campanha, em que a confiança pessoal e a imagem dos candidatos aparecem como fatores centrais. À medida que a eleição se aproxima, a forma como cada candidato responde a essas percepções pode definir o rumo da disputa.







