Moraes diz que Mendonça guardou por 3 meses dados sobre ele

Moraes diz que Mendonça guardou por 3 meses dados sobre ele

O ministro Alexandre de Moraes apresentou nesta terça-feira, 15, cronologia detalhada dos fatos para sustentar que o colega André Mendonça reteve informações que envolveriam ele próprio por cerca de três meses antes de determinar a abertura de investigação. Segundo Moraes, Mendonça tinha conhecimento do material desde 18 de maio de 2026 e só agiu em 24 de agosto, sem que houvesse solicitação da Polícia Federal nem da Procuradoria-Geral da República. A exposição foi feita durante a sessão que analisa os procedimentos ligados ao Caso Banco Master.

Moraes lembrou que, em maio, Mendonça havia autorizado busca e apreensão contra um perito apontado como autor de um conjunto de documentos elaborado em parceria com uma jornalista. Na ocasião, foram recolhidos dois arquivos identificados como moraes.pdf e toffoli.pdf. Para Moraes, se havia elementos que sugeriam a necessidade de investigação, o correto seria encaminhar o assunto ao plenário imediatamente. “Presente indício contra colega, deveria ter remetido ao plenário no dia 18 de maio. O processo ficou guardado”, afirmou.

O ministro relatou que, em 24 de agosto, sem pedido de nenhum órgão, Mendonça determinou a instauração de inquérito e fixou prazo de 72 horas para que a PF atuasse. Na mesma decisão, atribuiu sigilo de nível 4 ao processo e não comunicou a PGR. Quatro dias depois, também de ofício, determinou que o caso fosse distribuído por prevenção a ele próprio. Somente após a PGR se pronunciar pela nulidade e arquivamento é que o processo chegou ao plenário, segundo a versão apresentada.

Moraes rebateu ainda a alegação de que teria havido monitoramento irregular. Classificou a afirmação como infundada e esclareceu que relatórios de inteligência são instrumentos oficiais de trabalho das polícias, destinados a orientar a busca de provas, não constituindo prova por si mesmos. “Relatório de inteligência não é prova, é meio de obtenção de prova”, explicou, concordando com Mendonça nesse ponto específico.

O ministro detalhou também o conteúdo do material apreendido, que classificou como dossiê elaborado com dados do bloco de notas e do contrato de trabalho de sua esposa. Citou depoimento da delegada responsável pelo caso, que teria confirmado a intenção de antecipar a divulgação do conteúdo. “Não sou eu quem afirma isso, é a autoridade que conduziu as apurações”, ressaltou. Ao final, reiterou que não houve pedido de investigação por parte da PF nem da PGR e defendeu o encerramento do procedimento.

Antes da manifestação de Moraes, Mendonça havia mencionado suposta vigilância e coleta seletiva de dados envolvendo ministros e outras autoridades. Moraes contestou a descrição e disse que há testemunhas capazes de esclarecer os fatos, incluindo que Mendonça teria solicitado que seu nome fosse incluído na investigação. Mendonça, por sua vez, refutou as acusações durante o debate. O confronto expõe profundas divergências processuais que adiaram o desfecho e mantêm a Corte dividida, com a sociedade acompanhando na expectativa de que a verdade seja estabelecida com clareza e imparcialidade.