Quaest mostra Flávio Bolsonaro com 42% e Lula com 40% em cenário de segundo turno

A nova rodada da pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (14) acrescenta um dado relevante à corrida presidencial de 2026: pela primeira vez neste ciclo eleitoral do instituto, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma simulação de segundo turno. Segundo o levantamento, Flávio registra 42% das intenções de voto, enquanto Lula aparece com 40%. Apesar da diferença de dois pontos percentuais, os dois permanecem tecnicamente empatados, já que a margem de erro da pesquisa é de aproximadamente dois pontos para mais ou para menos. Portanto, o resultado não permite afirmar estatisticamente que o senador esteja consolidado na liderança. Ainda assim, a mudança chama atenção porque ocorre a apenas três semanas do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, em um momento no qual cada oscilação passa a ser acompanhada com maior atenção pelas campanhas e pelo eleitorado.
O movimento fica mais claro quando o resultado é comparado com as rodadas anteriores da própria Quaest. Na pesquisa divulgada em 7 de setembro, Lula e Flávio apareciam exatamente empatados, com 41% para cada um no segundo turno. Cinco dias antes, em 2 de setembro, o presidente ainda mantinha pequena vantagem numérica: tinha 42%, diante de 41% do senador. A nova rodada mostra, portanto, Flávio avançando um ponto em relação à semana anterior enquanto Lula recua um ponto, dentro da margem de erro. Embora oscilações dessa dimensão não devam ser interpretadas isoladamente como mudança definitiva de preferência do eleitorado, a sequência dos levantamentos revela uma aproximação progressiva entre os dois principais nomes da disputa e, agora, uma inversão numérica das posições. A própria Quaest vinha registrando desde o início do mês uma redução da distância entre os candidatos em eventual segundo turno.
O levantamento foi realizado entre os dias 10 e 13 de setembro, período em que a Quaest ouviu presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais, em diferentes regiões do país. As entrevistas foram feitas nos domicílios dos participantes. A margem máxima de erro é de aproximadamente dois pontos percentuais, e o nível de confiança informado é de 95%. A rodada ocorre em uma etapa decisiva da campanha eleitoral, quando os candidatos intensificam agendas, debates públicos e estratégias de comunicação para conquistar eleitores ainda indecisos. A metodologia é especialmente importante para interpretar os números corretamente: considerando a margem de erro, Flávio poderia variar aproximadamente entre 40% e 44%, enquanto Lula poderia estar entre 38% e 42%. Essas faixas se sobrepõem, razão pela qual o instituto trata o cenário como empate técnico e não como uma vantagem estatisticamente comprovada do candidato do PL.
Mesmo sem configurar uma liderança estatística, o resultado representa um sinal político relevante para as duas campanhas. Para Flávio Bolsonaro, aparecer numericamente à frente pode ser utilizado para reforçar a percepção de competitividade e mobilizar eleitores que enxergam a eleição como uma disputa aberta. Para Lula, os números indicam a necessidade de recuperar eleitores em segmentos onde pesquisas recentes apontam dificuldades maiores para o presidente. Levantamentos de outros institutos também vêm demonstrando uma eleição bastante equilibrada. Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada em 10 de setembro, por exemplo, registrou 46,4% para Flávio e 46,2% para Lula em eventual segundo turno, igualmente dentro da margem de erro. Já outros levantamentos recentes apresentam pequenas vantagens numéricas para Lula, confirmando que não existe, neste momento, uma liderança consolidada entre os dois nos diferentes estudos disponíveis.
O quadro também mostra como o eleitorado brasileiro permanece dividido a poucas semanas da votação. Pesquisas recentes identificam diferenças significativas conforme renda, religião, região e gênero. Levantamento Datafolha divulgado neste mês, por exemplo, mostrou Lula com desempenho superior entre eleitores de menor renda e entre católicos, enquanto Flávio Bolsonaro aparece mais forte entre evangélicos e nas faixas de renda mais elevadas. Regionalmente, o presidente mantém vantagem expressiva no Nordeste, enquanto o senador apresenta resultados mais favoráveis em estados importantes do Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Esses recortes ajudam a explicar por que pequenas variações nacionais podem ocorrer rapidamente conforme determinados grupos aumentam ou diminuem seu nível de mobilização. Também mostram que as próximas semanas deverão ser utilizadas pelas campanhas para tentar ampliar apoio justamente entre segmentos onde ainda existe espaço para crescimento.
A nova Quaest, portanto, não permite concluir que Flávio Bolsonaro esteja definitivamente à frente de Lula, mas registra uma mudança que merece atenção: 42% contra 40%, com vantagem numérica do senador pela primeira vez neste ciclo do levantamento. O dado reforça a avaliação de que a eleição presidencial segue aberta e que um eventual segundo turno entre os dois tende, pelos números disponíveis hoje, a ser bastante competitivo. Nas próximas semanas, debates, acontecimentos políticos, desempenho econômico e movimentações das campanhas poderão influenciar parte dos eleitores que ainda não consolidaram sua escolha. Também será necessário acompanhar as próximas pesquisas para saber se a vantagem numérica observada agora se mantém, aumenta ou retorna ao padrão anterior de empate ou liderança de Lula. Até que novos levantamentos sejam divulgados, a leitura mais precisa é a indicada pelos próprios números: Flávio aparece dois pontos à frente, mas ambos continuam estatisticamente empatados dentro da margem de erro.



