Produtor de Dark Horse só entregará documentos à PF mediante ordem da Justiça dos EUA

A investigação envolvendo o filme Dark Horse, produção baseada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, ganhou um novo capítulo nesta semana. O produtor Michael Brian Davis, sócio da empresa Go Up nos Estados Unidos, informou que não pretende entregar diretamente à Polícia Federal brasileira documentos relacionados às despesas e à movimentação financeira da produção.
Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira, 12 de setembro de 2026, Davis afirmou que os documentos somente serão fornecidos caso exista uma determinação da Justiça norte-americana. A posição acrescenta uma etapa jurídica à apuração conduzida no Brasil e coloca no centro da discussão a cooperação entre autoridades dos dois países.
De acordo com o produtor, registros contábeis, fiscais e bancários mantidos nos Estados Unidos deverão seguir os procedimentos previstos para pedidos oficiais de autoridades estrangeiras. Na prática, isso significa que a documentação não seria encaminhada simplesmente a partir de uma solicitação direta da Polícia Federal.
A justificativa apresentada é baseada na localização dos arquivos e nas regras aplicáveis aos documentos que estão sob custódia de empresas norte-americanas. Davis indicou ainda que eventual entrega deverá ocorrer pelos canais legais e diplomáticos adequados.
O caso chamou atenção das autoridades brasileiras por causa dos valores relacionados à produção de Dark Horse. Documentos analisados durante a investigação apontam para negociações envolvendo recursos que teriam sido destinados ao projeto.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, a Polícia Federal investiga uma estrutura financeira que teria movimentado até US$ 24 milhões para o financiamento do filme. O senador Flávio Bolsonaro aparece nas apurações como interlocutor em negociações relacionadas ao projeto, enquanto Daniel Vorcaro também é citado nos documentos analisados pelas autoridades.
A investigação ainda busca esclarecer como os recursos foram transferidos, quais despesas estavam efetivamente relacionadas à produção e quem participou das decisões financeiras. Parte dos dados já chegou ao Supremo Tribunal Federal, enquanto outros documentos permanecem nos Estados Unidos.
A Go Up possui atuação nos dois países, o que também fez com que diferentes pessoas ligadas à produtora fossem procuradas pelas autoridades brasileiras. A sócia brasileira Karina Gama, por exemplo, já apresentou documentos relacionados a contratos, despesas e pagamentos da produção.
A recusa de Davis não significa necessariamente que os documentos deixarão de ser analisados. O principal ponto levantado pelo produtor é o caminho jurídico que deverá ser utilizado para obter arquivos mantidos em território norte-americano.
Esse tipo de situação pode exigir mecanismos de cooperação internacional entre os países. Dessa forma, caso a Justiça brasileira considere necessária a obtenção dos documentos, o pedido poderá seguir os procedimentos previstos entre Brasil e Estados Unidos.
A decisão também ocorre em um momento de grande atenção em torno do caso. Nos últimos dias, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou a retirada do sigilo de documentos relacionados à investigação de Dark Horse e a outros processos ligados ao caso Banco Master. Ao todo, 38 documentos foram tornados públicos após solicitação da Procuradoria-Geral da República.
A documentação procurada pela Polícia Federal é considerada importante para entender a estrutura financeira da produção. Entre os registros mencionados estão faturas, contratos, comprovantes de pagamentos e outros documentos relacionados aos gastos realizados nos Estados Unidos.



