Moraes pede a Fachin que Mendonça também seja julgado na próxima semana

O ministro Alexandre de Moraes solicitou ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, que a sessão plenária extraordinária marcada para a próxima semana amplie seu escopo e analise também indícios sobre a atuação do colega André Mendonça. Até o momento, a reunião estava convocada para debater exclusivamente o relatório que detalha as relações atribuídas ao próprio Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A inclusão de novos temas eleva a complexidade do debate e traz para o centro da discussão pública a conduta de outro integrante da Corte.
Moraes encaminhou a pedido formal ao presidente da Corte, argumentando que a análise deve ser abrangente e não se restringir a um único conjunto de fatos. O julgamento previsto tinha como foco principal os documentos que apontam diálogos e encontros entre o magistrado e o ex-controlador do Banco Master. Como relator do processo, André Mendonça conduziu a elaboração do relatório e a seleção dos trechos cujo sigilo foi levantado — ponto que agora passa a ser questionado pelo próprio Moraes.
Na comunicação dirigida a Fachin, Moraes afirma que houve uma “escolha seletiva” dos materiais tornados públicos. Segundo ele, apenas parte dos documentos relacionados ao caso foi liberada, enquanto outros elementos permanecem restritos. Alega que essa divulgação parcial pode gerar interpretações incompletas e pede, em consequência, a abertura integral de todos os procedimentos ligados à investigação do Banco Master. A medida garantiria, segundo sua avaliação, que a sociedade tenha acesso ao quadro completo dos fatos.
A solicitação de ampliar a pauta para examinar também a conduta de Mendonça coloca em perspectiva a dinâmica interna do tribunal. Moraes defende que, se os atos de um ministro estão sendo analisados, os demais elementos que envolvem a condução do processo devem igualmente passar pelo crivo do Plenário. Dessa forma, questões sobre a forma como Mendonça conduziu a relatoria, os critérios de levantamento de sigilo e eventuais conflitos de interesse poderiam ser debatidos de maneira coletiva e transparente.
A sessão extraordinária está agendada para a próxima terça-feira, 15 de setembro, às 10h. A expectativa agora recai sobre a decisão de Fachin a respeito de acolher ou não os temas adicionais propostos. A reunião ganha, assim, contornos ainda mais amplos: além de avaliar a validade e o alcance das informações apresentadas, os ministros poderão definir regras sobre a divisão de competências, a divulgação de documentos e a conduta de cada relator em processos que envolvem outros membros da própria Corte.
A população acompanha com atenção esses desdobramentos, que tocam a confiança no funcionamento do mais alto tribunal do País. A disputa entre os magistrados, agora levada ao colegiado, demonstra a necessidade de procedimentos claros e uniformes para que apurações sensíveis prossigam com isenção. O que se espera é que a sessão produza não apenas decisões sobre casos individuais, mas também diretrizes que fortaleçam a independência, a transparência e a unidade do Supremo, garantindo que as decisões sirvam ao interesse coletivo.



