Faixa contra Alexandre de Moraes se destaca durante ato com Zema na Avenida Paulista

O ato de 7 de Setembro promovido pelo candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) na avenida Paulista, em São Paulo, ganhou um elemento que rapidamente chamou a atenção de quem passou pelo local. Um grande painel instalado pelo partido apresenta uma montagem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), representado atrás de grades e usando uma composição visual que mistura a toga com uniforme de presidiário. A peça traz a frase “Chega de Intocáveis”, expressão utilizada por Zema em uma série de vídeos publicados nas redes sociais. O material foi colocado na lateral do Edifício Anchieta, na avenida Paulista, e passou a integrar a identidade visual da manifestação organizada pelo Novo.
A escolha da imagem deixa evidente o tom adotado pelo candidato para marcar sua participação nas manifestações deste feriado. No painel, além da montagem envolvendo Moraes, aparece uma fotografia do ministro ao lado de outros integrantes do Supremo. A imagem foi registrada pelo jornalista Brenno Carvalho e passou a ser utilizada na peça instalada na Paulista. A estratégia do Novo é transformar a crítica ao funcionamento das instituições em um dos principais elementos da comunicação política de Zema, que vem direcionando parte significativa de seus discursos contra decisões e integrantes do Judiciário. O painel, portanto, não aparece isoladamente, mas como parte de uma campanha de comunicação que já vinha sendo construída nas semanas anteriores.
O slogan “Chega de Intocáveis” faz referência direta à série “Os Intocáveis”, produzida pela equipe de Zema para as redes sociais. Os vídeos utilizam recursos de inteligência artificial e apresentam críticas a ministros do STF, ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao empresário Daniel Vorcaro, ligado ao caso envolvendo o Banco Master. A produção também utiliza representações visuais de autoridades e empresários para apresentar a narrativa defendida pelo candidato. A estratégia já provocou reações no campo jurídico: segundo informações divulgadas pelo Poder360, o ministro Gilmar Mendes acionou o Supremo pedindo a inclusão de Zema no inquérito das fake news, enquanto a Procuradoria-Geral da República denunciou o candidato por calúnia contra o ministro.
A manifestação na Paulista ocorre em um momento de forte discussão pública envolvendo Moraes e informações relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro. O ministro André Mendonça retirou o sigilo de documentos ligados às investigações sobre a relação entre o empresário e o magistrado. Mensagens atribuídas a Vorcaro e contratos envolvendo o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes passaram a ser debatidos publicamente. As informações fazem parte de apurações em andamento, e Moraes nega irregularidades. Por isso, as acusações e interpretações relacionadas ao caso precisam ser tratadas como parte de investigações e disputas políticas e jurídicas, sem antecipar conclusões que ainda dependem dos procedimentos oficiais.
O próprio Zema apresentou sua participação na Paulista como um dos momentos mais importantes de sua trajetória política. Antes do evento, o candidato afirmou que pretendia dar voz a brasileiros insatisfeitos com o funcionamento do sistema político e, principalmente, com a atuação do Judiciário. A manifestação organizada pelo Novo teve como um dos principais focos justamente as críticas ao Supremo e, de maneira mais específica, a Moraes. Zema chegou à região da avenida Paulista pela manhã, com previsão de entrevista coletiva e caminhada em direção ao Museu de Arte de São Paulo (Masp).
O painel também se tornou uma espécie de símbolo visual da estratégia adotada pelo candidato durante a campanha presidencial. Além da grande faixa instalada no edifício, o Novo disponibilizou outro painel para que participantes do ato pudessem tirar fotografias representando policiais responsáveis por prender uma figura que simboliza Moraes na série “Intocáveis”. A ação reforça o caráter político e midiático da manifestação, utilizando imagens facilmente compartilháveis nas redes sociais. O objetivo, na prática, é transformar a presença de Zema na Paulista em um evento com forte repercussão digital, levando para além da avenida a mensagem de oposição ao que o candidato classifica como excessos do Judiciário.
Com isso, o 7 de Setembro ganhou diferentes significados políticos em São Paulo. Enquanto o governo federal realizou o tradicional desfile em Brasília, com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidatos à Presidência utilizaram a data para apresentar posicionamentos e mobilizar seus apoiadores. No caso de Zema, a escolha foi concentrar o discurso na crítica ao STF e transformar Alexandre de Moraes em um dos principais símbolos de sua campanha. O grande painel instalado na Paulista sintetizou essa estratégia em uma única imagem e colocou novamente no centro do debate a relação entre Executivo, Legislativo e Judiciário. A repercussão da peça mostra como a campanha de 2026 começa a ocupar também os espaços públicos com mensagens cada vez mais direcionadas ao eleitor e às redes sociais.



