Datafolha mostra disputa apertada: Lula lidera primeiro turno e Flávio encosta em eventual confronto direto

A nova pesquisa Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (3), trouxe números que aumentam a atenção sobre a corrida presidencial de 2026. No principal cenário estimulado de primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece na liderança com 38% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) registra 33%. A diferença entre os dois é, portanto, de cinco pontos percentuais. O levantamento também confirma um terceiro nome ganhando espaço: o escritor Augusto Cury (Avante) alcançou 8% e aparece isolado na terceira posição. Como a margem de erro informada pelo instituto é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, Lula mantém vantagem sobre Flávio no cenário de primeiro turno apresentado pelo Datafolha.
Atrás dos três primeiros colocados, o levantamento mostra Ronaldo Caiado (PSD) com 4%, Renan Santos (Missão) com 3% e Romeu Zema (Novo) com 2%. Os demais candidatos testados aparecem com percentuais menores. A comparação com a rodada anterior ajuda a dimensionar as mudanças: no levantamento divulgado em agosto, Lula aparecia com 39% e Flávio Bolsonaro tinha 33%. Isso significa que o presidente oscilou um ponto para baixo, enquanto o senador permaneceu numericamente estável nesse recorte. A alteração mais expressiva ocorreu justamente na disputa pelas posições seguintes, com Augusto Cury ampliando sua presença entre os entrevistados. O dado chama a atenção porque mostra que, embora Lula e Flávio concentrem a maior parcela das intenções de voto, existe uma faixa do eleitorado que continua distribuída entre diferentes alternativas.
O cenário fica ainda mais competitivo quando o Datafolha pergunta aos eleitores sobre um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Nessa simulação, Lula registra 46%, enquanto Flávio alcança 44%. A diferença é de apenas dois pontos, exatamente o tamanho da margem de erro do levantamento, o que configura empate técnico. Na pesquisa anterior, o resultado havia sido de 47% para Lula e 43% para Flávio. Assim, na comparação direta entre as duas rodadas, Lula oscilou um ponto para baixo e Flávio um ponto para cima. Embora essa movimentação seja politicamente relevante, ela precisa ser interpretada corretamente: duas pesquisas consecutivas não permitem afirmar que haverá necessariamente uma ultrapassagem futura. Pesquisas eleitorais são fotografias do momento em que as entrevistas foram realizadas e não previsões do resultado das urnas.
O levantamento ouviu 2.002 eleitores e possui margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pela Folha de S.Paulo e pelo Grupo Globo e está registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-03669/2026. Segundo as informações divulgadas junto ao levantamento, as entrevistas foram realizadas no início de setembro, em meio à entrada da campanha presidencial em uma fase de maior exposição dos candidatos. Esses dados metodológicos são essenciais para compreender os percentuais: considerando a margem de erro, por exemplo, os 46% registrados por Lula em um eventual segundo turno representam intervalo estimado de 44% a 48%, enquanto os 44% de Flávio correspondem a uma faixa entre 42% e 46%. É justamente a sobreposição desses intervalos que leva à classificação de empate técnico.
Outro elemento que merece acompanhamento é o desempenho de Augusto Cury. O candidato do Avante aparece com 8% no Datafolha e também tem registrado percentuais relevantes em pesquisas recentes de outros institutos, embora cada levantamento possua metodologia, período de campo e amostragem próprios e não deva ser comparado mecanicamente. Nesta semana, por exemplo, levantamentos de Quaest, PoderData/Aya e Futura também colocaram Cury atrás dos dois principais candidatos, mas com presença significativa na corrida. Isso sugere que a disputa pelo eleitor que não pretende escolher Lula ou Flávio já no primeiro turno pode se tornar um dos componentes importantes da campanha. Ao mesmo tempo, ainda há semanas de propaganda eleitoral, debates, entrevistas e acontecimentos políticos capazes de alterar a preferência dos eleitores antes da votação.
Os números do Datafolha, portanto, mostram dois cenários distintos e igualmente importantes: Lula permanece na liderança do primeiro turno, mas um eventual confronto direto com Flávio Bolsonaro aparece hoje estatisticamente indefinido. A pesquisa não permite afirmar quem venceria a eleição se ela fosse realizada agora, justamente porque o segundo turno está dentro da margem de erro. Também não há base estatística para concluir que a oscilação observada nesta rodada garantirá uma virada nas próximas semanas. O que o levantamento confirma é uma disputa presidencial competitiva, com elevada concentração de votos nos dois primeiros colocados e um terceiro candidato tentando consolidar espaço. Com o avanço da campanha, novas pesquisas serão fundamentais para verificar se as oscilações atuais representam uma tendência consistente ou apenas movimentações momentâneas do eleitorado.



