Moraes recebe mais um pedido de impeachment após mensagens

O senador Carlos Viana (PSD) apresentou nesta terça-feira (1º) um novo pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento, que representa o 54º pedido dessa natureza apresentado contra o ministro, reúne questionamentos relacionados a mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e a um contrato envolvendo o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, ligado à esposa de Moraes. A iniciativa coloca novamente o Senado no centro de uma discussão sobre os limites entre a atuação de autoridades públicas, relações profissionais e informações relacionadas a investigações.
Um dos principais pontos destacados por Viana envolve mensagens que teriam sido enviadas por Vorcaro a Moraes em novembro de 2025, antes da prisão do banqueiro. Segundo o senador, em 15 de novembro, dois dias antes da prisão, Vorcaro teria procurado o ministro e mencionado a necessidade de deixar o país. Em 17 de novembro, o banqueiro foi detido pela Polícia Federal quando tentava embarcar para o exterior. Ainda conforme os documentos apresentados por Viana, novas mensagens foram enviadas naquele mesmo dia, nas quais Vorcaro questionava se alguma medida contra ele havia sido evitada. Para o senador, a sequência dos acontecimentos precisa ser analisada com atenção para esclarecer como determinadas informações teriam chegado ao banqueiro.
Viana afirma que as mensagens apresentadas até agora não exibem eventuais respostas de Alexandre de Moraes. Por esse motivo, o senador solicita a recuperação dos registros completos das conversas, incluindo a sequência dos contatos e os conteúdos eventualmente trocados entre as partes. A intenção, segundo ele, é identificar a origem das informações mencionadas por Vorcaro e verificar quem tinha conhecimento de possíveis medidas antes que elas fossem realizadas. O senador sustenta que uma análise integral dos registros seria necessária para estabelecer a cronologia dos fatos e avaliar se houve alguma conduta que possa ser enquadrada nas hipóteses previstas para crime de responsabilidade.
Outro aspecto citado no pedido é um contrato entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, que, segundo Viana, poderia alcançar R$ 131 milhões. O senador afirma que dados internos relacionados ao arquivo indicariam alterações realizadas por um perfil identificado como “ministro Alexandre de Moraes”. O escritório teria confirmado que o ministro teve acesso ao documento. Diante disso, Viana pediu a preservação do arquivo original, do histórico de versões e dos registros dos equipamentos utilizados para acessar ou modificar o material. A medida, segundo o parlamentar, permitiria verificar a origem das alterações e identificar as pessoas envolvidas no processo.
Com base nesses elementos, Carlos Viana apresentou a denúncia por suspeitas relacionadas a crime de responsabilidade e também direcionou cobranças ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União). O senador defende que Alcolumbre analise o pedido e afirma que poderá solicitar medidas contra o presidente da Casa caso a iniciativa não avance. Viana também pediu a realização de uma sessão no plenário do Senado com a presença de Alexandre de Moraes para prestar esclarecimentos sobre os fatos mencionados no documento, incluindo questões relacionadas ao Banco Master, Daniel Vorcaro, ao escritório ligado à família do ministro e às circunstâncias dos contatos registrados.
A apresentação do pedido não significa, por si só, que as acusações tenham sido comprovadas ou que o processo de impeachment será instaurado. O objetivo declarado pelo senador é levar os fatos à análise do Senado para que documentos, mensagens e demais registros sejam avaliados e, a partir disso, seja possível determinar se houve alguma irregularidade. Procurado para comentar o pedido, o gabinete de Alexandre de Moraes não havia apresentado manifestação até a publicação da reportagem. O caso agora passa a acompanhar de perto a atuação do Senado, especialmente diante da cobrança para que os documentos apresentados sejam examinados e recebam uma resposta institucional.


