Augusto Cury registra crescimento significativo em pesquisa AtlasIntel e altera dinâmica da disputa presidencial

A pesquisa AtlasIntel divulgada nesta segunda-feira aponta um avanço expressivo do candidato Augusto Cury, do Avante, na corrida à Presidência da República. O psiquiatra e escritor, que em julho registrava apenas 1,6% das intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno, alcançou agora 7,8%. O salto de 6,2 pontos percentuais o coloca em terceiro lugar, empatado tecnicamente com Renan Santos, do partido Missão, que aparece com 7,6%.
Segundo o levantamento, realizado entre os dias 25 e 30 de agosto com 5.014 entrevistados e margem de erro de um ponto percentual, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com 43,4% das intenções de voto. Em segundo lugar figura o senador Flávio Bolsonaro (PL), com 33,7%. Romeu Zema (Novo) aparece com 1%, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) registra 3,3% e Pablo Marçal (PRTB) 1,9%.
O desempenho de Cury surpreendeu equipes de campanha adversárias. O crescimento coincide com uma fase de maior exposição do candidato, marcada pela participação no primeiro debate televisivo, pela sabatina no Jornal Nacional e pelo início do horário eleitoral gratuito. Analistas observam que parte do avanço veio de eleitores que antes declaravam preferência por Lula, Flávio Bolsonaro e Zema, além de uma parcela do eleitorado que busca alternativas à polarização entre os dois principais candidatos.
Cury, de 67 anos, é médico, psiquiatra e autor de dezenas de livros de desenvolvimento pessoal e educação emocional, com milhões de exemplares vendidos no Brasil e no exterior. Sem experiência prévia em cargos eletivos, ele se filiou ao Avante neste ano e oficializou a candidatura em convenção partidária no início de agosto. Sua plataforma enfatiza o combate à polarização política, a valorização da saúde emocional, o incentivo ao empreendedorismo e propostas ligadas à educação e à digitalização da administração pública.
A pesquisa AtlasIntel utiliza metodologia de recrutamento digital aleatório, com pós-estratificação para refletir o perfil do eleitorado brasileiro. O instituto tem histórico de atuação em pesquisas eleitorais no Brasil e em outros países. O resultado atual reforça a percepção de que a disputa de 2026 ainda apresenta espaço para movimentos relevantes, especialmente entre candidatos que se apresentam como opções de centro ou outsider.
Outros levantamentos recentes também registraram alta de Cury. Na pesquisa BTG Pactual/Nexus, divulgada no mesmo período, o candidato do Avante passou de 2% para 11% em uma semana, consolidando a terceira posição isolada. Nesses números, Lula aparece com 39% e Flávio Bolsonaro com 33%. A convergência entre diferentes institutos indica que o crescimento não se restringe a uma única metodologia.
Especialistas em comportamento eleitoral apontam que o momento de maior visibilidade midiática e o início da propaganda gratuita na televisão e no rádio costumam favorecer nomes menos conhecidos do grande público. Cury, que já conta com base consolidada de leitores e seguidores nas redes sociais, parece ter capitalizado essa janela. Ao mesmo tempo, a fragmentação do eleitorado que rejeita a polarização entre PT e PL cria condições para o surgimento de alternativas.
Ainda assim, os números atuais não alteram a liderança de Lula nem a posição de Flávio Bolsonaro como principal adversário. Em eventuais cenários de segundo turno, a pesquisa AtlasIntel mantém o presidente à frente. O avanço de Cury, no entanto, reduz a margem de votos disponíveis para os dois primeiros colocados e pode influenciar estratégias de campanha nas próximas semanas.
O calendário eleitoral segue com novos debates e pesquisas previstas. A consolidação ou não do crescimento de Augusto Cury dependerá da capacidade de manter o ritmo de comunicação, de apresentar propostas concretas e de ampliar o alcance além do público já familiarizado com sua obra. Por enquanto, o resultado da AtlasIntel confirma que a disputa presidencial de 2026 ganhou um novo personagem de relevância nas intenções de voto.
Com a proximidade do primeiro turno, marcado para outubro, cada ponto percentual ganha peso estratégico. O desempenho de Cury mostra que o eleitorado ainda está em movimento e que nomes fora do eixo tradicional de polarização podem ocupar espaço relevante no debate nacional.



