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Sabatina na TV reacende embate que marcou a política brasileira

A participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma sabatina exibida pela TV Globo na noite de quinta-feira (27) provocou uma nova troca de críticas com personagens centrais da antiga Operação Lava Jato e acrescentou mais um capítulo ao ambiente eleitoral de 2026. Durante a entrevista conduzida pelos jornalistas César Tralli e Renata Vasconcellos, Lula voltou a questionar a atuação do ex-juiz Sergio Moro, atualmente candidato do PL ao governo do Paraná, e do ex-procurador Deltan Dallagnol, candidato ao Senado pelo Novo. Horas depois, Moro respondeu por meio das redes sociais, classificando o presidente como “transtornado”, “rancoroso” e “mentiroso”. A manifestação rapidamente ganhou repercussão e transformou uma discussão sobre acontecimentos ocorridos há quase uma década em novo elemento da atual disputa política. 

Durante a sabatina, Lula afirmou que parte da imprensa contribuiu para criar aquilo que chamou de um “monstro chamado Moro, chamado Dallagnol”. O presidente também retomou críticas ao PowerPoint apresentado pelo Ministério Público Federal em 2016 e disse que decidiu cumprir a ordem de prisão em 2018 porque pretendia demonstrar que as acusações formuladas contra ele estavam erradas. Ao comentar sua trajetória judicial, Lula voltou a sustentar que foi vítima de uma atuação política destinada a impedir sua participação na eleição presidencial daquele ano. Esse é o posicionamento defendido pelo petista. Posteriormente, em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações de Lula relacionadas à Lava Jato ao reconhecer a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar aqueles processos; no caso do triplex, o STF também confirmou a suspeição de Sergio Moro. 

Moro apresentou uma interpretação oposta do episódio. Em sua publicação, afirmou que Lula teria usado as críticas à Lava Jato para evitar responder aos questionamentos atuais envolvendo seu governo e as investigações relacionadas a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. O ex-juiz também citou Roberta Luchsinger, empresária mencionada em apurações recentes, e declarou que presenciou, durante trabalhos de comissão parlamentar, movimentos da base governista que, em sua avaliação, dificultaram determinadas investigações. Essas afirmações representam a leitura política de Moro sobre os acontecimentos e não equivalem, por si mesmas, a conclusões judiciais. Lula, por sua vez, afirmou na entrevista que o filho deve ser investigado como qualquer cidadão, declarou acreditar em sua inocência e classificou parte das suspeitas divulgadas como ilações. A defesa de Lulinha nega irregularidades. 

Outro ponto mencionado por Moro foi a atuação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, responsável por investigações que ganharam grande repercussão política nos últimos meses. O candidato do PL afirmou que haveria movimentos do governo destinados a dificultar o trabalho do magistrado, acusação que não foi demonstrada como fato nas informações públicas apresentadas até agora. O tema tem sido utilizado por opositores de Lula em meio às divergências recentes entre integrantes da Polícia Federal e o gabinete de Mendonça sobre procedimentos investigativos. O próprio presidente defendeu durante a entrevista que as instituições realizem seu trabalho e declarou não pretender interferir nas apurações relacionadas ao seu filho ou a pessoas de seu entorno. A controvérsia, portanto, mistura investigações ainda em andamento, divergências institucionais e interpretações políticas que precisam ser diferenciadas para evitar conclusões antecipadas. 

Deltan Dallagnol também entrou no debate depois de ser citado diretamente por Lula. O ex-procurador afirmou que não pretende se desculpar por sua participação nos processos da Lava Jato e contestou as declarações feitas pelo presidente. Assim como Moro, Dallagnol mantém uma avaliação positiva da operação e de sua atuação naquele período, enquanto Lula apresenta uma leitura completamente diferente e sustenta que os procedimentos representaram uma injustiça contra ele. A controvérsia jurídica, entretanto, possui marcos objetivos posteriores aos acontecimentos: além da anulação das condenações por incompetência da Justiça Federal de Curitiba, o STF concluiu que Moro agiu com parcialidade no processo do triplex do Guarujá. Essas decisões não significam que todas as discussões políticas sobre a Lava Jato tenham sido encerradas, mas são elementos indispensáveis para compreender o contexto jurídico da disputa atual. 

A nova troca de declarações mostra que a Lava Jato continua presente no debate eleitoral mesmo anos depois de seus principais processos. Para Lula, revisitar aquele período permite reforçar a narrativa de que foi alvo de decisões posteriormente anuladas pelo Supremo. Para Moro e Dallagnol, responder ao presidente é também uma forma de defender a atuação que os projetou nacionalmente e, ao mesmo tempo, questionar episódios atuais envolvendo o governo. Em plena campanha de 2026, esse confronto tende a ser utilizado por diferentes candidaturas para mobilizar seus respectivos eleitorados. Para o leitor, porém, é necessário separar decisões judiciais já consolidadas, investigações que permanecem em andamento e afirmações feitas por políticos durante a disputa eleitoral. A repercussão da sabatina demonstra que um dos capítulos mais marcantes da política brasileira recente ainda conserva força suficiente para influenciar o debate público quase dez anos depois de seu auge.

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