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Na Globo, Lula chama lobista Roberta Luchsinger de “pilantra”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentou uma sequência de perguntas sobre investigações que envolvem pessoas próximas ao seu entorno durante a sabatina promovida pela TV Globo na noite desta quinta-feira (27). Um dos momentos de maior repercussão ocorreu quando os jornalistas César Tralli e Renata Vasconcellos citaram mensagens atribuídas à lobista Roberta Luchsinger, que aparece em apurações da Polícia Federal relacionadas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente. Ao contestar a interpretação das conversas, Lula se referiu a Roberta como “pilantra” e questionou o que uma pessoa poderia dizer em mensagens privadas sem que aquilo representasse necessariamente um fato comprovado. O presidente sustentou que, até agora, as informações apresentadas não demonstrariam utilização irregular de recursos públicos. 

Durante a entrevista, Lula também negou manter uma relação de proximidade com Roberta Luchsinger. O presidente afirmou não conhecê-la e disse nunca ter conversado com ela. A declaração rapidamente ganhou repercussão porque registros publicados nas redes sociais de Luchsinger mostram os dois em diferentes ocasiões. O Poder360 localizou pelo menos 12 fotografias publicadas entre 2018 e 2023 nas quais Roberta aparece ao lado de Lula, incluindo uma imagem de julho de 2022 com o então candidato e Janja Lula da Silva. A existência dessas fotografias comprova encontros ou presença conjunta em eventos, mas, isoladamente, não permite determinar qual era o grau de relacionamento entre eles. Esse ponto passou a ser explorado por adversários do presidente e também motivou novas análises sobre as declarações dadas durante a sabatina. 

As perguntas surgiram em meio às investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre possíveis tentativas de influência em negócios envolvendo órgãos do governo. Segundo informações obtidas pela imprensa a partir das apurações, Roberta Luchsinger teria participado de tratativas relacionadas à venda de testes para dengue e de produtos à base de Cannabis medicinal ao Ministério da Saúde. Algumas dessas negociações teriam contado com interlocução de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. A investigação também analisa possíveis vínculos econômicos entre Roberta e Lulinha. As propostas mencionadas nas apurações não chegaram a resultar nos contratos investigados, segundo as informações publicadas até agora. As defesas dos envolvidos negam irregularidades. É importante destacar que a existência de investigação não representa condenação nem comprovação automática das suspeitas levantadas pelos investigadores. 

Ao falar especificamente sobre o filho, Lula afirmou que Fábio Luís não receberá tratamento privilegiado caso as autoridades identifiquem alguma irregularidade. O presidente classificou parte das suspeitas divulgadas como “ilações” e defendeu que a investigação siga seu curso até que existam conclusões formais. Ele também demonstrou incômodo com a divulgação de informações de procedimentos ainda em andamento, atribuindo à Polícia Federal vazamentos para a imprensa. Ao mesmo tempo, declarou esperar que a própria PF cumpra sua função e que qualquer pessoa que tenha cometido irregularidades responda por seus atos. Essa posição coloca Lula em uma situação politicamente delicada: como presidente, ele procura defender a autonomia das instituições, enquanto, como candidato à reeleição e pai de um dos investigados, precisa responder a questionamentos que passaram a ocupar parte importante da campanha presidencial. 

Outro personagem abordado durante a sabatina foi Marco Aurélio Ribeiro. A Polícia Federal investiga movimentações relacionadas ao ex-assessor e sua interlocução com Luchsinger. Lula afirmou que Marcola era uma pessoa de sua confiança, mas disse que ele terá de assumir as consequências caso alguma irregularidade seja comprovada. O episódio faz parte de um conjunto mais amplo de questões que vêm pressionando a campanha petista nas últimas semanas. A entrevista da Globo dedicou parcela significativa de seu tempo a temas envolvendo investigações e suspeitas relacionadas ao entorno político e familiar do presidente. A repercussão também ocorre em um momento eleitoral competitivo: pesquisa Datafolha divulgada recentemente mostrou Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, diante de 33% de Flávio Bolsonaro, seu principal adversário no levantamento. 

A repercussão das declarações sobre Roberta Luchsinger deve continuar durante a campanha, principalmente pela diferença entre a negativa de proximidade feita pelo presidente e os registros fotográficos encontrados nas redes sociais. Entretanto, as fotografias não substituem provas sobre as suspeitas investigadas, da mesma forma que mensagens atribuídas aos envolvidos precisam ser examinadas dentro de seu contexto e pelos órgãos responsáveis. Para Lula, o desafio político será explicar as relações de pessoas de seu entorno sem antecipar conclusões sobre investigações ainda abertas. Para seus adversários, o caso tende a ser utilizado como argumento durante a disputa eleitoral. Do ponto de vista jornalístico e jurídico, porém, é necessário separar três aspectos: as declarações feitas pelo presidente, os elementos já documentados publicamente e as hipóteses que continuam sob investigação. As conclusões sobre eventual responsabilidade dos envolvidos dependerão das provas reunidas e das decisões das autoridades competentes. 

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