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Nome de operação da PF contra Lulinha aborrece governo Lula

Um jantar realizado no início de agosto na residência do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou ao centro do debate político neste fim de semana após surgir a informação de que a atuação do ministro André Mendonça teria sido discutida durante o encontro. A reunião, ocorrida em 4 de agosto, reuniu Moraes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o ministro Cristiano Zanin. Inicialmente, o encontro foi noticiado como uma tentativa de restabelecer o diálogo entre Lula e Alcolumbre depois de meses de distanciamento. Posteriormente, porém, o colunista Lauro Jardim, de O Globo, informou que o gabinete de Mendonça teria recebido relatos de que uma forma de fragilizar o ministro também teria sido debatida. Essa versão, até o momento, não foi confirmada publicamente pelos participantes do jantar.

A reunião já despertava atenção antes mesmo dessa nova informação. Lula e Alcolumbre estavam há aproximadamente três meses e meio sem conversar diretamente, em meio a divergências políticas que se intensificaram após a derrota da indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo. Segundo informações publicadas pelo UOL logo após o encontro, Moraes e Zanin atuaram para promover uma reconciliação entre os dois. A conversa teria durado cerca de três horas e, de acordo com auxiliares ouvidos pelo veículo naquele momento, ocorreu de maneira amistosa, sem uma pauta específica ou decisões conclusivas. Lula também teria abordado projetos considerados importantes pelo governo no Congresso, entre eles a proposta relacionada ao fim da escala de trabalho 6×1. Essa descrição inicial do jantar não mencionava qualquer articulação envolvendo André Mendonça.

A nova versão sobre o encontro ganhou dimensão principalmente pelo momento vivido por Mendonça dentro do STF. O ministro está ligado à condução de investigações de grande repercussão nacional, entre elas apurações relacionadas ao Banco Master e procedimentos envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente da República. Fábio Luís é investigado pela Polícia Federal em inquéritos que apuram suspeitas de tráfico de influência, enquanto sua defesa nega irregularidades e questiona vazamentos de informações sigilosas. Lula, em entrevista exibida neste domingo (23), afirmou que não interfere no trabalho da Polícia Federal e declarou que seu filho deve responder pelas próprias atitudes caso alguma irregularidade seja comprovada. O presidente também disse acreditar na inocência de Fábio Luís, mantendo, porém, a defesa de que as investigações prossigam.

Outro elemento que aumentou a atenção sobre Mendonça foi uma série de divergências recentes relacionadas à condução de investigações. A Procuradoria-Geral da República defendeu que ao menos um dos inquéritos envolvendo Fábio Luís seja encaminhado à primeira instância por entender que, naquele procedimento, não existiria autoridade com foro privilegiado. Mendonça, por outro lado, sinalizou a intenção de manter investigações sob responsabilidade do Supremo. Além disso, o ministro determinou a ampliação de uma apuração destinada a identificar possíveis responsáveis pelo vazamento de informações sigilosas relacionadas ao caso do INSS. A decisão atendeu a pedido da defesa de Fábio Luís e estabeleceu que a investigação deveria buscar agentes que tinham o dever de preservar os dados, sem atingir jornalistas ou comprometer a proteção constitucional ao sigilo da fonte.

Nesse contexto, qualquer informação envolvendo uma possível tentativa de reduzir a influência ou a atuação de Mendonça passa a ter repercussão imediata. Ainda assim, é necessário diferenciar fatos documentados de informações atribuídas a fontes de bastidores. O jantar de 4 de agosto está confirmado, assim como a participação de Lula, Alcolumbre, Moraes e Zanin e o objetivo inicial de reconstruir a relação política entre o presidente da República e o presidente do Senado. Também é público que, depois daquele encontro, Lula e Alcolumbre realizaram outras reuniões e passaram a demonstrar uma aproximação maior. O que não está comprovado, até agora, é que tenha existido um acordo entre os participantes do jantar destinado a enfraquecer André Mendonça. A afirmação permanece vinculada ao relato publicado posteriormente e não há, até o momento, registro público da conversa que permita confirmar seu conteúdo.

A repercussão tende a continuar porque o episódio reúne, em uma mesma discussão, integrantes do Executivo, do Legislativo e do Judiciário em pleno período eleitoral. O jantar também já vinha sendo questionado por integrantes da oposição e por analistas que discutem os limites da participação de magistrados em articulações políticas. Por outro lado, a existência de diálogo institucional entre autoridades não comprova, por si só, a prática de qualquer irregularidade. A principal questão agora é saber se surgirão novos elementos capazes de esclarecer o que efetivamente foi discutido naquela noite. Até que isso aconteça, a abordagem jornalística mais responsável é registrar a existência e o contexto do encontro, apresentar a informação atribuída às fontes que a divulgaram e deixar claro que a suposta estratégia contra André Mendonça continua sem confirmação independente.

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