Filha de “patriota” que perdeu a vida na Papuda faz pedido inesperado a Lula

A filha de Cleriston Pereira da Cunha, conhecido como Clezão e que esteve preso após os atos de 8 de janeiro, solicitou uma audiência presencial com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tratar da morte do pai e de questões relacionadas às garantias fundamentais.
Luiza Cunha, que é candidata a deputada distrital pelo PL nas eleições de 2026, protocolou o pedido nesta sexta-feira (14), direcionado à Presidência da República. No documento, ela afirma que pretende discutir com Lula as circunstâncias que envolveram a morte de Clezão, ocorrida em novembro de 2023, enquanto ele estava detido no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
Cleriston Pereira da Cunha tinha 46 anos e morreu enquanto estava no Centro de Detenção Provisória II da Papuda. Segundo informações apresentadas pela família, ele enfrentava problemas de saúde associados a complicações provocadas pela Covid-19.
No requerimento encaminhado ao presidente, Luiza afirma que a defesa do pai havia comunicado anteriormente às autoridades sobre as condições de saúde dele. Ela também menciona um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) que, à época, teria sido favorável à soltura de Clezão e à adoção de medidas cautelares.
A filha atribui a morte do pai a possíveis falhas e omissões do Estado e afirma querer discutir diretamente com Lula qual é a posição do governo federal diante do caso. No documento, ela utiliza expressões como “abuso de poder” e “omissão estatal” ao se referir às circunstâncias que, segundo sua avaliação, contribuíram para o desfecho.
Luiza também questiona se o discurso de pacificação defendido pelo governo federal contempla familiares de pessoas identificadas com a direita e o conservadorismo. A intenção, segundo o pedido, é levar essas questões diretamente ao presidente durante uma eventual reunião no Palácio do Planalto.
A solicitação ainda não significa que a audiência tenha sido aceita. O documento pede que o encontro seja realizado presencialmente, em Brasília, em uma data que deverá ser definida pela Presidência caso o pedido seja atendido.
A iniciativa ocorre em meio à campanha eleitoral de Luiza Cunha. Ela lançou sua candidatura à Câmara Legislativa do Distrito Federal pelo PL em junho, durante um evento que reuniu lideranças políticas da direita. Entre os presentes estava a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), enquanto a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro participou por meio de uma mensagem em vídeo.
Além do pedido de audiência com Lula, Luiza informou ter apresentado outro requerimento ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ela, o objetivo é conseguir autorização para realizar uma visita humanitária ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
No documento encaminhado à Presidência, a candidata relaciona o pedido de visita à admiração que, segundo ela, o pai nutria por Bolsonaro. A solicitação ocorre no contexto das medidas judiciais que envolvem o ex-presidente e de sua situação atual perante a Justiça.
O caso de Clezão se tornou um dos episódios mais discutidos entre familiares e apoiadores de pessoas presas após os acontecimentos de 8 de janeiro. A morte ocorreu enquanto ele ainda estava sob custódia do Estado, e as condições de saúde apresentadas pela defesa passaram a integrar os questionamentos feitos posteriormente pela família.
Ao pedir uma conversa com Lula, Luiza busca colocar o caso diretamente diante do chefe do Executivo e cobrar uma manifestação sobre a atuação do Estado. A eventual audiência, porém, dependerá de uma decisão da Presidência da República.
O pedido também evidencia a tentativa da candidata de levar ao debate eleitoral uma questão que envolve direitos fundamentais, condições de custódia e a situação de pessoas presas após os atos de 8 de janeiro. A estratégia ocorre durante o período de preparação para as eleições de 2026, nas quais Luiza pretende disputar uma vaga na Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Até a publicação da informação, não havia confirmação de que Lula havia aceitado o pedido de audiência. A definição sobre uma eventual reunião deverá partir da própria Presidência.



