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“Eu e Bolsonaro”: Lula faz avaliação surpreendente sobre lideranças nacionais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (14) que, atualmente, apenas ele e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) possuem uma liderança política de alcance nacional consolidada. A declaração foi dada durante entrevistas aos podcasts “As Cunhãs” e “Não Inviabilize”, em meio à campanha para as eleições presidenciais de 2026.

Segundo Lula, seu grupo político possui nomes com potencial para ocupar um espaço de destaque na política nacional nos próximos anos, mas esses nomes ainda precisariam ampliar a atuação para além de seus estados de origem.

“Quem foi liderança nacional mais recente? Eu e o Bolsonaro. Hoje ele tem voto em todos os estados do Brasil”, afirmou o presidente.

Questionado sobre quem poderia assumir o protagonismo da esquerda a partir de 2030, Lula citou seis nomes que considera com potencial para construir uma trajetória nacional: os senadores Camilo Santana (PT-CE) e Rui Costa (PT-BA), o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), o candidato ao governo de Pernambuco, João Campos (PSB), o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), e o candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT).

Para Lula, a construção de uma liderança nacional depende não apenas de ocupar um cargo político, mas também de desenvolver uma visão sobre os principais problemas do país e estabelecer contato com diferentes regiões e setores da população.

“Liderança você precisa criar. Os quadros, nós temos”, declarou o presidente.

Na avaliação de Lula, os possíveis sucessores precisam circular pelo Brasil e ampliar sua presença política. A estratégia, segundo o petista, seria fazer com que esses nomes deixem de ser identificados apenas com seus estados ou cargos atuais e passem a construir uma imagem nacional.

Entre os nomes mencionados, Fernando Haddad recebeu atenção especial durante a entrevista. Ao ser lembrado de uma declaração recente em que havia citado o atual candidato ao governo de São Paulo como possível sucessor, Lula voltou a elogiar o ex-ministro da Fazenda.

“Tem muita gente boa. O Haddad é uma delas. O Haddad é um companheiro com um potencial de crescimento extraordinário”, afirmou.

A declaração reforça sinais anteriores de Lula sobre a possibilidade de Haddad desempenhar um papel importante na sucessão política do PT. No início de agosto, durante uma convenção partidária, o presidente chegou a projetar um cenário no qual Haddad governaria São Paulo por oito anos antes de assumir a Presidência da República.

Na ocasião, Lula questionou qual seria o país que entregaria ao futuro presidente Haddad depois de dois mandatos à frente do governo paulista. A fala foi interpretada por aliados como uma sinalização de preferência pelo ex-ministro da Fazenda, embora interlocutores do presidente tenham avaliado que Lula deixou espaço para outros nomes.

A sucessão presidencial dentro do campo governista é considerada uma discussão para os próximos anos. Lula, que tem 80 anos, já afirmou que a eleição de 2026 será a última de sua carreira política. Uma eventual vitória nas urnas, portanto, abriria espaço para uma disputa interna pela construção da candidatura governista para 2030.

Haddad aparece entre os nomes com maior projeção dentro do grupo político de Lula. Nos bastidores, o ex-ministro também demonstra interesse em ampliar seu espaço político. Uma eventual indicação para a Casa Civil, caso Lula seja reeleito, é vista como uma possibilidade que poderia aumentar sua influência dentro do governo federal.

A pasta ocupa posição estratégica no Palácio do Planalto e tem entre suas funções a coordenação das ações do governo. Uma eventual passagem de Haddad pelo ministério poderia, portanto, ampliar sua exposição nacional e aproximá-lo ainda mais do núcleo político do governo.

Apesar dos elogios, Lula não indicou que tenha definido um sucessor. Ao mencionar seis nomes diferentes, o presidente sinalizou que há mais de uma alternativa dentro do campo político que pretende representar.

A declaração também mostra que o debate sobre a sucessão de Lula já começa a ganhar espaço antes mesmo do início oficial da campanha eleitoral. Para o presidente, a construção dessas novas lideranças dependerá da capacidade de seus aliados de ampliar a presença nacional, dialogar com diferentes regiões e apresentar propostas para problemas que ultrapassam as fronteiras de seus estados.

Assim, embora Haddad tenha sido novamente citado de forma positiva, Lula evitou apresentar uma escolha definitiva. O presidente destacou que existem “muita gente boa” em seu grupo e apontou seis nomes que, na sua avaliação, podem construir uma trajetória nacional até a eleição de 2030.

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