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Haddad acusa Tarcísio de mentir sobre suposto elo com o tráfico

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, acusou nesta terça-feira o atual governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, de mentir ao vincular seu nome a uma suposta ligação com o tráfico de drogas. A declaração foi dada durante uma sabatina realizada na RedeTV!, quando o petista voltou a responder a uma acusação formulada pelo adversário no debate da Band, transmitido no domingo anterior.

No confronto televisivo, Tarcísio afirmou que Haddad teria participado de um evento em que dividiu o palco com uma mulher apontada como liderança do tráfico na Favela do Moinho, na região central da capital paulista. A referência gerou reação imediata do candidato petista, que na ocasião pediu que o governador “baixasse a bola” e questionou por que, caso soubesse da suposta condição da pessoa, não teria agido para prendê-la. Na sabatina desta terça-feira, Haddad aprofundou a crítica e classificou a afirmação do adversário como mentira. Segundo ele, não localizou qualquer foto ou registro que comprovasse a presença conjunta da forma descrita e afirmou que Tarcísio “deve ter recebido essa informação de alguém”, sem apresentar provas concretas.

Haddad também destacou o que considera uma inconsistência na postura do governador. Argumentou que, se a informação era de conhecimento das autoridades, seria preocupante que nenhuma providência tenha sido tomada, especialmente considerando a presença de policiais no local do evento. O candidato defendeu a necessidade de se considerar a boa-fé das pessoas envolvidas em agendas públicas e classificou como preocupante o uso político de acusações dessa natureza sem elementos que as sustentem de forma clara.

Além de responder à acusação, Haddad aproveitou a sabatina para apresentar e reforçar propostas na área de segurança pública, tema central da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. O petista defendeu a criação de uma agência antifacção com sede no próprio governo do estado. A estrutura, segundo ele, reuniria representantes de diferentes órgãos, entre eles o Ministério Público, a Receita Federal, as polícias civil e militar e outras instâncias de controle e inteligência. O objetivo seria integrar esforços no combate ao crime organizado, com foco não apenas na repressão nas ruas, mas também no enfrentamento à estrutura financeira das facções.

Outra proposta destacada por Haddad foi a possibilidade de registro de boletins de ocorrência por meio do WhatsApp. A medida, de acordo com o candidato, contaria com o apoio de ferramentas de inteligência artificial para facilitar o atendimento ao cidadão e permitir o mapeamento em tempo real dos locais de maior incidência de crimes. Com isso, seria possível orientar de forma mais eficiente o patrulhamento e a alocação de recursos policiais. Haddad apresentou a ideia como parte de um conjunto de ações voltadas à modernização da segurança pública e à maior proximidade entre a população e as instituições responsáveis pela proteção do cidadão.

O debate sobre segurança tem marcado a campanha eleitoral em São Paulo. No confronto da Band, os dois candidatos trocaram acusações sobre o combate às facções criminosas, a atuação da Polícia Militar e a eficácia das políticas adotadas pelo atual governo estadual. Tarcísio tem defendido os resultados de sua gestão, citando operações contra o crime organizado e a redução de alguns indicadores criminais. Haddad, por sua vez, critica o que considera falta de coordenação e de comando político na área, além de apontar a necessidade de maior integração entre órgãos estaduais e federais.

A sabatina desta terça-feira ocorreu em um momento de intensificação da disputa. Com as eleições se aproximando, os candidatos têm utilizado entrevistas e debates para consolidar suas propostas e responder a críticas. Haddad reconheceu, durante a conversa, a existência de rejeição ao PT em algumas regiões do estado, especialmente no interior, e afirmou que pretende trabalhar para superar esse cenário. Ao mesmo tempo, criticou o desempenho econômico de São Paulo sob a atual gestão, afirmando que o estado tem crescido abaixo da média nacional.

A acusação sobre o suposto elo com o tráfico e as propostas de segurança apresentadas por Haddad devem continuar gerando repercussão nos próximos dias. O tema da criminalidade organizada é sensível para o eleitorado paulista e tende a ocupar espaço relevante nas discussões eleitorais. Enquanto Tarcísio busca capitalizar a imagem de gestão firme na área, Haddad aposta em um discurso de reorganização institucional e uso de tecnologia para enfrentar o problema de forma estruturada.

O embate entre os dois principais postulantes ao governo de São Paulo ilustra a polarização que marca a disputa. As declarações de Haddad na sabatina reforçam a estratégia de responder de forma direta às acusações do adversário e, ao mesmo tempo, apresentar um conjunto de propostas concretas. A continuidade do debate público sobre segurança e a capacidade de cada candidato de convencer o eleitorado sobre a efetividade de suas ideias serão determinantes até o dia da votação.

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