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Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro colocam uma pedra nas desavenças e gravam juntos para a campanha

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro se reuniram nesta terça-feira em Brasília para gravar materiais destinados à campanha eleitoral do presidenciável do PL. O encontro marca o primeiro contato presencial entre os dois após meses de atritos públicos que ganharam repercussão nacional e expuseram divergências familiares e políticas no núcleo bolsonarista.

Ao deixar o local das gravações, no quartel-general de campanha, Michelle afirmou que os dois decidiram colocar uma pedra nas desavenças. “Colocamos uma pedra. Qual família é perfeita? Graças a Deus conversamos, nos unimos em prol de algo muito maior para a nossa nação. Gravamos bastante”, declarou ela a jornalistas. A ex-primeira-dama enfatizou que não guarda mágoa e que o momento exige união em torno de objetivos maiores. Segundo ela, a conversa foi normal e os dois se abraçaram.

O reencontro ocorreu em meio a uma série de gravações que também envolveram outros candidatos apoiados por Flávio ao Senado. Michelle, que concorre a uma vaga no Senado pelo Distrito Federal, participou das filmagens ao lado do enteado. O material deve ser utilizado tanto nas redes sociais quanto no horário eleitoral gratuito, que começa em breve.

A crise entre os dois havia se tornado pública em junho, quando Michelle divulgou vídeos longos nas redes sociais. Neles, ela relatou ter se sentido desrespeitada e maltratada em uma ligação telefônica ocorrida no final do ano anterior. O desentendimento teve origem em divergências sobre alianças políticas no Ceará, especialmente a aproximação do PL local com o ex-governador Ciro Gomes. Michelle criticou a postura e disse ter recebido uma “punhalada” do enteado, que, segundo seu relato, teria afirmado que ela não entendia de política por ter chegado recentemente à vida pública.

Flávio respondeu na época com uma nota em que negou qualquer intenção de humilhar a madrasta e pediu desculpas caso ela tenha se sentido ofendida. Ele destacou o respeito pelo trabalho dela no PL Mulher e pelo cuidado com o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Nos dias seguintes, Michelle publicou uma mensagem pedindo paz e afirmando que não havia briga nem competição, mas o afastamento público se manteve por semanas.

A reconciliação agora anunciada tem clara dimensão política. Flávio precisa consolidar o apoio do eleitorado feminino e do segmento evangélico, áreas em que Michelle ainda detém influência significativa. A participação dela nas gravações busca transmitir uma imagem de unidade familiar e partidária em um momento em que a campanha presidencial se intensifica. Michelle, no entanto, sinalizou limites: provavelmente não fará viagens intensas pelo país porque precisa cuidar de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Ela prometeu apoio pelas redes sociais e destacou a força das mulheres do partido espalhadas pelo Brasil.

Durante o encontro, os dois conversaram reservadamente antes das gravações e, segundo relatos de aliados, o clima foi descrito como leve. Michelle também se dirigiu a candidatos ao Senado presentes e falou em nome da união do grupo. Questionada sobre a relação com os demais filhos de Jair Bolsonaro, ela preferiu não entrar no assunto. “Não vou polarizar. Um dia de cada vez. Não guardo mágoa de ninguém. Meu coração é limpo”, afirmou.

O episódio ilustra as tensões naturais que surgem em famílias envolvidas intensamente na política de alta tensão. A decisão de superar publicamente as diferenças e aparecer lado a lado em material de campanha envia um recado claro ao eleitorado e às bases do partido: a prioridade agora é a disputa eleitoral. Michelle reforçou que as coisas vão se ajustando aos poucos e que está livre de sentimentos negativos.

A gravação conjunta ocorre poucos dias antes do início oficial da campanha eleitoral e da propaganda no rádio e na televisão. Para a equipe de Flávio, a presença de Michelle representa um reforço importante de imagem e de alcance. Para ela, o gesto permite retomar um papel de protagonismo sem reabrir feridas recentes. Ambos saíram do encontro com a mensagem de que a desavença ficou no passado e que o foco agora é o futuro.

No cenário político brasileiro, momentos como este costumam ser interpretados como sinais de pragmatismo. Famílias políticas frequentemente enfrentam crises internas, mas a capacidade de recompor a unidade diante de uma eleição nacional costuma pesar mais do que os desentendimentos pessoais. Michelle e Flávio parecem ter escolhido esse caminho. Resta acompanhar se a reconciliação se traduzirá em presença constante e efetiva ao longo da campanha ou se permanecerá restrita a aparições pontuais e apoio virtual. Por enquanto, a pedra foi colocada e as câmeras registraram o gesto.

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