Tereza Cristina sinaliza apoio e aceita ser vice de Flávio Bolsonaro

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) comunicou a aliados nesta quinta-feira (30) que aceitou o convite para integrar como candidata a vice-presidente a chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República. A decisão representa uma mudança de posição da parlamentar, que anteriormente havia recusado o convite por priorizar a permanência no Senado e a intenção de disputar a presidência da Casa em 2027.
Apesar da sinalização positiva da senadora, a composição da chapa ainda depende de etapas políticas e partidárias. O acordo precisa ser aprovado pela Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, além de receber o aval formal do Progressistas durante sua convenção nacional. Após a manifestação de Tereza Cristina, o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, iniciou conversas com diretórios estaduais para avaliar o apoio interno à possível aliança com o PL.
Nos bastidores, dirigentes da federação afirmam que a orientação predominante ainda é manter neutralidade na eleição presidencial, estratégia considerada importante para preservar alianças regionais e fortalecer candidaturas aos governos estaduais, ao Senado e à Câmara dos Deputados. Mesmo assim, a possibilidade de composição com o PL passou a ganhar força após a mudança de posicionamento da ex-ministra da Agricultura.
Tereza Cristina é apontada como o nome preferido do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, para ocupar a vaga de vice. A avaliação dentro do partido é que sua presença na chapa amplia o diálogo com o agronegócio, setor no qual a senadora possui forte influência, além de aumentar as chances de atrair o apoio da Federação União Progressista para a campanha presidencial.
Nas últimas semanas, lideranças do PL, representantes do agronegócio e integrantes do setor empresarial intensificaram as conversas com a senadora na tentativa de convencê-la a aceitar o convite. Segundo relatos de dirigentes partidários, uma reunião realizada recentemente teria sido decisiva para que Tereza Cristina reconsiderasse sua posição. Até então, ela demonstrava preferência por continuar no Senado e concentrar seus esforços na sucessão da presidência da Casa.
Natural de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, Tereza Cristina tem 72 anos e exerce atualmente mandato como senadora pelo estado. Antes disso, foi deputada federal entre 2015 e 2019 e comandou o Ministério da Agricultura durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022. Empresária e produtora rural, consolidou sua trajetória política com forte atuação em pautas ligadas ao agronegócio e atualmente lidera a bancada do PP no Senado.
Caso a aliança seja confirmada pelas instâncias partidárias, a chapa formada por Flávio Bolsonaro e Tereza Cristina reunirá duas das principais lideranças do campo conservador e buscará ampliar sua base de apoio em diferentes segmentos políticos e econômicos. Ainda assim, integrantes da cúpula da Federação União Progressista avaliam que a aprovação da coligação não é automática e dependerá de negociações entre os partidos que compõem o bloco.
A definição sobre a composição da candidatura deverá ocorrer nas próximas semanas, durante as convenções partidárias, quando as legendas oficializarão seus candidatos e eventuais alianças para a eleição presidencial. Até lá, as articulações continuam nos bastidores, com dirigentes do PL e do PP buscando construir consenso em torno da chapa e avaliar os impactos da aliança nas disputas estaduais e nacionais.



