PL oficializa candidatura de Flávio à Presidência com vídeo de Bolsonaro por IA, apoio de Michelle e discurso de Milei

O Partido Liberal (PL) oficializou neste sábado (25), em São Paulo, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República nas eleições de 2026. O evento reuniu lideranças da direita, familiares e apoiadores do parlamentar, além de contar com a participação do presidente da Argentina, Javier Milei, e uma mensagem em vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Sem anunciar o nome do candidato a vice-presidente, Flávio fez um discurso marcado por críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao Supremo Tribunal Federal (STF), afirmando que pretende “libertar o Brasil” e dar continuidade ao legado político de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador também declarou que espera receber de Bolsonaro a faixa presidencial na posse de 2027.
Um dos momentos de maior repercussão da convenção foi a exibição de um vídeo criado com inteligência artificial para simular uma fala de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar e não pôde comparecer ao evento. Na gravação, o ex-presidente aparece afirmando estar “preso e calado por uma decisão arbitrária” e pede que seus apoiadores apoiem a candidatura do filho. Durante seu pronunciamento, Flávio afirmou que Bolsonaro sofreu perseguições políticas e voltou a criticar decisões do STF, especialmente do ministro Alexandre de Moraes. O senador também defendeu uma agenda de endurecimento das leis penais, com propostas como aumento das penas para criminosos, redução da maioridade penal e castração química para condenados por estupro de crianças.
A convenção também foi marcada pela participação da família Bolsonaro. Michelle Bolsonaro enviou uma mensagem em vídeo, encerrando publicamente o período de distanciamento que havia surgido após divergências internas no partido. Sem mencionar o desentendimento, ela afirmou que permaneceu ao lado do marido para cuidar de sua saúde e desejou sucesso à campanha de Flávio, pedindo que Deus protegesse sua candidatura. Já os irmãos Eduardo e Carlos Bolsonaro gravaram mensagens de apoio, reforçando a necessidade de união entre os apoiadores do ex-presidente. A esposa do candidato, Fernanda Bolsonaro, também discursou e destacou valores familiares, criticou a carga tributária sobre empreendedores e afirmou que permanecerá ao lado do marido durante toda a campanha.
Convidado de honra da convenção, o presidente argentino Javier Milei fez um discurso voltado à defesa da liberdade econômica e com fortes críticas ao socialismo. Segundo ele, o Brasil enfrenta uma escolha entre liberdade e submissão, afirmando que o resultado das eleições poderá influenciar o futuro do país pelas próximas décadas. Milei declarou apoio explícito a Flávio Bolsonaro, classificando-o como o nome capaz de enfrentar Lula e promover mudanças no Brasil. O argentino também lamentou não ter conseguido visitar Jair Bolsonaro em razão das restrições impostas pela Justiça brasileira, voltou a defender o ex-presidente e encerrou sua participação repetindo seu conhecido lema: “Viva la libertad, carajo”.
Apesar da oficialização da candidatura, o PL ainda não definiu quem ocupará a vaga de vice-presidente. Flávio afirma preferir uma mulher na chapa, mas a decisão depende das negociações com possíveis aliados. Enquanto partidos como Republicanos e a federação entre PP e União Brasil sinalizam neutralidade, o PL avalia até mesmo lançar uma chapa formada exclusivamente por integrantes da legenda. Entre os nomes cogitados para a vice estão Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, e a deputada Simone Marquetto. A definição deverá ocorrer até o prazo estabelecido pela legislação eleitoral.
Flávio Bolsonaro chega ao início oficial da campanha como principal representante do bolsonarismo após ser escolhido pelo pai para disputar a Presidência. Ao longo da pré-campanha, apresentou propostas voltadas para segurança pública e empreendedorismo feminino, além de defender a anistia de Jair Bolsonaro. Nos últimos meses, entretanto, também enfrentou desgastes provocados por investigações relacionadas ao caso conhecido como “Dark Horse”, críticas ao sistema de urnas eletrônicas e divergências políticas dentro do próprio campo conservador. Mesmo assim, o senador inicia a corrida eleitoral apostando na união da direita, no apoio de aliados nacionais e internacionais e na força do legado político do ex-presidente para buscar uma vaga no Palácio do Planalto.



