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Flávio diz confiar no sistema eleitoral, mas não corrige dado falso

O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), divulgou uma nota oficial para esclarecer declarações feitas durante um encontro com diplomatas em Brasília. O pronunciamento ocorreu depois que um vídeo do evento ganhou grande repercussão nas redes sociais e levantou debates sobre sua fala envolvendo o sistema eleitoral brasileiro.

Segundo o comunicado, Flávio Bolsonaro afirma que não colocou em dúvida a integridade das urnas eletrônicas utilizadas no país. A nota destaca que, durante sua participação no evento, ele deixou claro que não estava questionando o modelo de votação brasileiro e reforçou a importância da presença de observadores internacionais nas próximas eleições.

O documento foi assinado pelo próprio senador, pelo coordenador de sua pré-campanha, Rogério Marinho, e pela coordenadora jurídica da equipe, Maria Claudia Bucchianeri. A intenção foi responder às interpretações geradas após a divulgação do vídeo.

Durante o encontro com representantes estrangeiros, realizado no evento “Debating Brazil”, Flávio comentou sobre um relatório da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) relacionado às eleições realizadas na Venezuela em 2012. Em sua fala, ele mencionou a empresa Smartmatic ao tratar do tema.

A declaração acabou gerando repercussão porque o senador relacionou a origem de equipamentos utilizados em outros países às urnas eletrônicas brasileiras. No entanto, a nota divulgada posteriormente não detalha de que forma essa associação foi feita, limitando-se a reafirmar que não houve questionamento sobre a confiabilidade do sistema eleitoral nacional.

Além disso, Flávio pediu que diferentes países enviassem o maior número possível de representantes para acompanhar o processo eleitoral brasileiro. Segundo ele, a participação de missões internacionais contribui para ampliar a transparência e fortalecer a confiança nas eleições.

Após a repercussão das declarações, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) voltou a reforçar informações já divulgadas anteriormente sobre o funcionamento das urnas eletrônicas brasileiras.

Em nota atualizada neste mês de julho de 2026, o tribunal reafirmou que a empresa Smartmatic não fabrica, não fornece e nunca desenvolveu o software das urnas utilizadas nas eleições do Brasil. O órgão também informou que todo o projeto tecnológico do sistema eletrônico de votação foi criado e é administrado exclusivamente pela Justiça Eleitoral.

O TSE explicou ainda que as mensagens que circulam nas redes sociais afirmando que a empresa venezuelana participa da produção das urnas brasileiras são falsas. Segundo o tribunal, a Smartmatic prestou apenas serviços relacionados à conexão de dados e voz em contratos anteriores e também participou de uma licitação para fabricação de urnas em 2020, mas não venceu o processo.

Outro ponto destacado pela Justiça Eleitoral é que o software responsável pela votação permanece sob controle exclusivo do próprio tribunal. De acordo com o órgão, o sistema utiliza mecanismos próprios de segurança e comunicação criptografada, sem ligação direta com a internet durante o processo de votação.

O episódio também chamou atenção porque relembrou uma situação envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em 2022, ele promoveu uma reunião com embaixadores para apresentar críticas ao sistema eleitoral brasileiro. Posteriormente, o Tribunal Superior Eleitoral entendeu que houve abuso de poder político e uso indevido da estrutura pública, decisão que resultou em sua inelegibilidade por oito anos.

Agora, diante da repercussão das declarações de Flávio Bolsonaro, a equipe do senador afirma que houve interpretação fora do contexto. A nota oficial encerra reafirmando confiança no sistema eleitoral brasileiro e defendendo que missões internacionais de observação sejam incentivadas como instrumento de transparência e fortalecimento da credibilidade das eleições.
 

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