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PM preso em BH por morte de capitã tinha 2 BOs por violência doméstica

As investigações sobre a morte da capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), Michele Leão Azevedo, de 41 anos, continuam mobilizando as autoridades e chamando a atenção da população. O caso, registrado em Belo Horizonte, teve novos desdobramentos após a confirmação de que o 3º sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, preso em flagrante, possui dois boletins de ocorrência por violência doméstica registrados em seu nome nos anos de 2014 e 2016. Segundo as autoridades, esses registros não têm relação com Michele.

Até o momento, a Polícia Civil de Minas Gerais e o Tribunal de Justiça de Minas Gerais ainda não divulgaram informações sobre o andamento desses antigos boletins. A expectativa é que novos esclarecimentos sejam apresentados conforme o avanço das investigações.

Embora Michele não tenha registrado boletins de ocorrência contra o marido, familiares relataram à polícia que ela vinha enfrentando episódios de violência dentro do relacionamento. O casal estava junto havia cerca de oito anos. A capitã deixa uma filha de 10 anos, de um relacionamento anterior.

A trajetória profissional dos dois também chamou atenção. Michele ingressou na PMMG em 2004 e trabalhava no Centro de Gestão Documental da corporação. Já Eduardo entrou para a Polícia Militar em 2015 e estava lotado no 1º Batalhão da PM, em Belo Horizonte. Após a prisão em flagrante, ele foi encaminhado ao 34º Batalhão, onde permanece à disposição da Justiça.

O caso veio à tona na noite de segunda-feira (20), quando Eduardo levou Michele já sem sinais de vida ao Hospital Odilon Behrens. Durante entrevista coletiva, a Polícia Civil informou que os primeiros exames identificaram uma lesão significativa na região da face, além de diversos outros ferimentos no corpo da vítima. Esses elementos contribuíram para a decisão de efetuar a prisão em flagrante enquanto a investigação prossegue.

Em depoimento, o sargento apresentou sua versão dos acontecimentos. Segundo ele, o casal havia realizado uma confraternização em casa com amigos e ambos consumiram bebidas alcoólicas e substâncias ilícitas durante o encontro. Após a saída dos convidados, relatou que Michele sofreu uma queda na escada da residência, recusou atendimento médico e permaneceu em casa descansando. Horas depois, ao perceber que ela não respondia aos chamados, decidiu levá-la ao hospital.

A Polícia Civil informou que essa versão será analisada cuidadosamente e confrontada com os laudos periciais, que deverão esclarecer a dinâmica dos fatos. O resultado desses exames será considerado uma das principais peças da investigação.

Outro ponto que passou a integrar o inquérito envolve uma ocorrência registrada dentro do hospital. Conforme informações da Polícia Militar, Eduardo teria descartado uma caixa contendo 18 comprimidos de ecstasy na lixeira do banheiro durante o atendimento da ocorrência. O material foi recolhido pelas equipes responsáveis e também será analisado durante a investigação.

A defesa do sargento pediu cautela diante das informações divulgadas até agora. Em nota, o advogado Gustavo Nepomuceno afirmou que é necessário aguardar a conclusão das perícias e das investigações antes de qualquer conclusão definitiva. Segundo ele, todas as circunstâncias do caso serão esclarecidas pelas autoridades competentes, respeitando o devido processo legal e o direito de defesa.

Enquanto a investigação segue em andamento, o caso reforça a importância da apuração técnica, baseada em provas e perícias. Somente após a conclusão dos trabalhos da Polícia Civil será possível esclarecer todos os detalhes e definir oficialmente as responsabilidades, conforme estabelece a legislação brasileira.
 

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