Vazamento de gás tóxico em Manaus leva 414 pessoas a hospitais

O vazamento de gás estireno registrado em uma fábrica localizada no Distrito Industrial de Manaus continua repercutindo e mobilizando autoridades municipais e estaduais. O incidente aconteceu no fim da tarde da última quarta-feira (15) em uma unidade da petroquímica Innova e resultou em um grande número de atendimentos médicos nos dias seguintes.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, até a tarde de sexta-feira (17), 414 pessoas haviam procurado atendimento em hospitais, prontos-socorros e unidades de saúde da capital amazonense. A maior parte dos pacientes apresentou sintomas considerados leves, como irritação nos olhos, sensação de ardência, desconforto respiratório e mal-estar. Após avaliação médica, a maioria recebeu alta e retornou para casa.
Os dados oficiais mostram que 200 atendimentos ocorreram em hospitais particulares, enquanto 157 pacientes buscaram assistência em prontos-socorros e serviços públicos de urgência. Outras 57 pessoas foram atendidas em unidades municipais de saúde.
Apesar de a situação estar sendo monitorada, duas pessoas permaneciam internadas até a última atualização divulgada pelas autoridades. Uma delas seguia em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), recebendo cuidados especializados. Também foi registrada uma morte durante o período, mas os órgãos responsáveis informaram que ainda investigam se existe alguma relação entre o óbito e o vazamento ocorrido na fábrica.
No domingo (19), a Innova divulgou uma nota afirmando que a situação está sob controle.
Segundo a empresa, a temperatura do tanque envolvido foi estabilizada e não há mais emissão de vapores. A companhia também negou informações sobre possíveis fissuras no equipamento, afirmando que uma inspeção técnica realizada juntamente com os órgãos competentes não identificou rachaduras na estrutura.
Mesmo com essa atualização, a Prefeitura de Manaus decidiu manter o estado de alerta. Um gabinete de crise foi criado para acompanhar o caso de perto, reunindo diferentes órgãos públicos responsáveis pelas ações de monitoramento, fiscalização e atendimento à população.
As autoridades continuam orientando moradores, trabalhadores e pessoas que circulam pela região do Distrito Industrial a permanecerem atentos às recomendações oficiais. Quem apresentar sintomas como irritação nos olhos, dificuldade para respirar ou qualquer desconforto deve procurar uma unidade de saúde para avaliação médica.
Além das medidas de prevenção, o município aplicou duas multas à empresa responsável pela unidade industrial. A primeira penalidade foi fixada em 30 mil Unidades Fiscais do Município, o equivalente a aproximadamente R$ 4,55 milhões, por emissão de gases e poluição do ar.
A segunda multa, correspondente a 35 mil unidades fiscais, soma cerca de R$ 5,34 milhões e está relacionada à poluição do solo e de um corpo hídrico da região. Somadas, as penalidades chegam perto de R$ 10 milhões. A empresa ainda poderá apresentar sua defesa administrativa e os relatórios técnicos solicitados pelos órgãos responsáveis.
Enquanto isso, equipes da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros e da Prefeitura seguem acompanhando a situação. Uma das principais ações realizadas foi o resfriamento do tanque para evitar novas reações e garantir maior segurança no local.
Como medida preventiva, dez escolas municipais localizadas nas proximidades da fábrica tiveram as aulas suspensas temporariamente. A decisão buscou reduzir a circulação de pessoas na área e preservar a segurança de estudantes, professores e funcionários.
O caso segue em investigação e novos laudos técnicos deverão esclarecer as causas do vazamento, além de indicar se haverá outras medidas administrativas ou ambientais. Até lá, as autoridades mantêm o monitoramento constante da região e reforçam que a população acompanhe apenas as informações divulgadas pelos canais oficiais.



