Proibido de falar com Bolsonaro, Flávio busca comandar a campanha

A campanha presidencial do Partido Liberal (PL) entra em uma fase decisiva com um novo desafio para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Impedido por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de manter contato direto com o ex-presidente Jair Bolsonaro pelos próximos 90 dias, o parlamentar terá de conduzir praticamente sozinho as principais definições da pré-campanha.
A restrição vale até 11 de outubro, poucos dias após o primeiro turno das eleições, previsto para 4 de outubro. Na prática, isso significa que Flávio precisará tomar decisões estratégicas sem consultar diretamente a principal liderança política do grupo.
O momento é considerado um dos mais importantes da pré-campanha. Entre as prioridades estão a escolha do candidato a vice-presidente, a montagem dos palanques estaduais e a organização da agenda de viagens pelo país. Além disso, o senador também busca fortalecer alianças e ampliar o diálogo com eleitores além da base tradicional do bolsonarismo.
A decisão do STF ocorreu após um episódio envolvendo uma carta escrita por Jair Bolsonaro. No dia 11 de julho, Flávio publicou o documento nas redes sociais. No texto, o ex-presidente reafirmava seu apoio ao filho e o apresentava como seu “porta-voz” durante o processo eleitoral.
Dois dias depois, Alexandre de Moraes determinou a suspensão das visitas de Flávio ao pai por 90 dias e solicitou esclarecimentos da defesa sobre a divulgação da carta. Segundo o ministro, Bolsonaro já estava proibido de utilizar redes sociais, seja diretamente ou por intermédio de terceiros. Em resposta ao Supremo, a defesa informou que o ex-presidente não tinha conhecimento de que o conteúdo seria publicado.
Enquanto administra esse cenário jurídico, Flávio também acelera as articulações para definir quem ocupará a vaga de vice na chapa presidencial. A convenção nacional do PL está marcada para 25 de julho, data em que o partido pretende oficializar sua candidatura.
Nos últimos dias, um dos nomes que ganhou força foi o da ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques.
Durante uma transmissão ao vivo para apresentar o programa “Brasil por Elas”, ela apareceu ao lado de Flávio Bolsonaro e reforçou propostas voltadas às mulheres, como incentivo ao empreendedorismo feminino, acesso ao crédito, segurança, saúde e apoio às famílias.
Daniella, no entanto, não é a única cotada para a vaga. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) segue entre as favoritas nos bastidores e conta com apoio do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Outro nome lembrado por integrantes do partido é o da deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC), que recebe apoio de setores mais alinhados à ala conservadora do partido.
Paralelamente à definição da chapa, o PL enfrenta dificuldades para fechar alianças nos estados. Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, ainda existe expectativa sobre uma possível candidatura do senador Cleitinho Azevedo ao governo estadual. Como a decisão segue indefinida, o partido avalia alternativas para evitar ficar sem um palanque competitivo.
Em estados como Pernambuco, Maranhão, Alagoas e Amapá, o cenário também permanece indefinido. Integrantes da legenda admitem que, em alguns desses locais, o partido pode disputar a eleição sem alianças consideradas estratégicas.
Outro desafio enfrentado por Flávio Bolsonaro envolve a relação com Michelle Bolsonaro. O desentendimento entre os dois ganhou repercussão nas últimas semanas e acabou chamando atenção dentro do próprio partido. Embora o senador tenha afirmado publicamente que o episódio foi superado, aliados reconhecem que a aproximação entre ambos pode ser importante para fortalecer a campanha.
Pesquisas recentes indicam que parte do eleitorado acompanhou o episódio, aumentando a pressão para que a pré-campanha demonstre unidade nos próximos meses. Com o calendário eleitoral avançando, Flávio Bolsonaro terá pela frente a missão de consolidar alianças, definir sua chapa e coordenar a estratégia nacional do PL sem contato direto com o ex-presidente. Os próximos passos deverão indicar como o senador pretende conduzir sua candidatura em um dos períodos mais decisivos da corrida eleitoral.



