Alcolumbre é encurralado: ‘Ainda há tempo para impeachment de Moraes’

O encerramento do primeiro semestre legislativo no Senado Federal motivou diferentes avaliações entre os parlamentares. Durante um pronunciamento no Plenário, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) apresentou um balanço bastante crítico das atividades da Casa e comparou o momento político à eliminação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026.
Ao recorrer à analogia com o desempenho do Brasil no torneio, o senador afirmou que o semestre foi marcado por resultados considerados negativos. Segundo ele, decisões tomadas ao longo dos últimos meses deixaram parte da população insatisfeita e levantaram questionamentos sobre o funcionamento do Legislativo em temas de grande repercussão nacional.
Entre os episódios citados por Girão está o encerramento da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS sem a prorrogação dos trabalhos. Na avaliação do parlamentar, a continuidade das investigações poderia trazer novos esclarecimentos sobre assuntos discutidos pela comissão. O senador também mencionou a rejeição do relatório final da CPI do Crime Organizado, classificando esse desfecho como mais um momento que, em sua visão, prejudicou o semestre legislativo.
Outro ponto destacado foi a CPI do Banco Master. Para Girão, o fato de a comissão não ter sido instalada representou o episódio mais marcante desse período. Em seu discurso, ele afirmou que a decisão de não dar andamento ao pedido contrariou a expectativa de senadores que apoiavam a abertura da investigação.
Durante o pronunciamento, o parlamentar declarou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, impediu a instalação da comissão, apesar de haver, segundo Girão, 53 assinaturas favoráveis ao requerimento. Na avaliação do senador cearense, esse foi o principal acontecimento negativo do semestre, tornando-se, em suas palavras, “a cereja do bolo” de uma sequência de decisões que ele considera desfavoráveis.
Apesar das críticas, Eduardo Girão afirmou que ainda acredita na possibilidade de mudanças durante a atual legislatura. Segundo ele, o Senado pode adotar medidas que contribuam para melhorar sua imagem perante a sociedade e fortalecer a confiança da população nas instituições.
Entre essas possibilidades, o senador defendeu a abertura de um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em seu entendimento, essa iniciativa representaria um marco político e sinalizaria o início do enfrentamento do que classificou como uma crise moral envolvendo os três Poderes da República.
A declaração ocorre em um cenário de debates frequentes entre integrantes do Congresso Nacional e do Judiciário. Nos últimos meses, temas relacionados ao equilíbrio entre os Poderes, ao papel das comissões parlamentares e à fiscalização de órgãos públicos têm ocupado espaço nas discussões políticas em Brasília.
As manifestações de Eduardo Girão refletem seu posicionamento sobre esses assuntos e fazem parte do debate político em andamento no país. Ao mesmo tempo, as decisões mencionadas pelo senador seguem sendo alvo de interpretações diferentes entre parlamentares da base governista, da oposição e de outros grupos políticos.
Com o retorno das atividades legislativas após o recesso, a expectativa é de que novas pautas de grande impacto voltem ao centro das discussões no Senado Federal. Projetos de interesse nacional, requerimentos de investigação e propostas relacionadas ao funcionamento das instituições devem continuar movimentando o cenário político brasileiro ao longo do segundo semestre.



