Moraes pode rever decisão que atingiu Flávio Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes pode reavaliar a decisão que suspendeu, por 90 dias, as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Essa é a avaliação feita por integrantes do Judiciário que acompanham o caso e mantêm interlocução com o magistrado, segundo informações divulgadas nos bastidores.
A expectativa de uma possível revisão ganhou força após a repercussão da medida entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de outros tribunais superiores. De acordo com relatos de pessoas ouvidas reservadamente, a leitura é que a decisão foi tomada em um momento de forte reação ao episódio envolvendo a divulgação de uma carta escrita por Jair Bolsonaro e apresentada por Flávio nas redes sociais.
A determinação foi assinada por Moraes na segunda-feira (13) e impede que Flávio visite o pai durante 90 dias. Na prática, a restrição se estende até depois do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para o início de outubro. O ministro entendeu que o senador utilizou a visita para divulgar uma carta do ex-presidente, contrariando a decisão judicial que proíbe Jair Bolsonaro de utilizar redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros.
Nos bastidores do Judiciário, porém, parte dos magistrados considera que a medida pode ter produzido um efeito político contrário ao esperado. A avaliação é de que a suspensão das visitas fortaleceu o discurso adotado por Flávio Bolsonaro de que estaria sendo alvo de perseguição e de interferência durante o processo eleitoral.
A decisão também provocou reações fora do STF. Integrantes do governo federal, segundo relatos publicados pela imprensa, apontaram dúvidas sobre a fundamentação jurídica utilizada no despacho. A interpretação de alguns interlocutores é que a medida poderá ser revista caso Moraes conclua que houve excesso na restrição imposta ao senador.
Outro fator que entrou na discussão é o fato de Flávio Bolsonaro integrar a equipe de defesa do pai como advogado. Com isso, representantes da advocacia passaram a argumentar que a proibição de contato pode afetar prerrogativas profissionais garantidas pela legislação. Em razão desse entendimento, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) encaminhou manifestação ao Supremo defendendo a preservação do direito de comunicação entre advogado e cliente.
Apesar das especulações sobre uma eventual mudança de posição, até o momento não há qualquer decisão oficial indicando que Moraes tenha revisto o despacho. A suspensão das visitas permanece em vigor, e a defesa de Jair Bolsonaro foi intimada a prestar esclarecimentos sobre a divulgação da carta, conforme determinado pelo ministro.
Enquanto isso, o episódio continua repercutindo no meio político e jurídico. Além das discussões sobre os limites das medidas cautelares impostas ao ex-presidente, a decisão também passou a ser analisada sob o impacto que pode ter na disputa eleitoral, já que Flávio Bolsonaro é pré-candidato à Presidência da República e tem afirmado publicamente que a restrição representa uma interferência em sua campanha.



