Novo cenário divulgado favorece Flávio na disputa com Lula

Levantamento da consultoria Bites aponta que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) liderou o volume de interações nas redes sociais durante a maior parte do primeiro semestre de 2026 entre os principais pré-candidatos à Presidência da República. O estudo considera a soma de curtidas, comentários e compartilhamentos em plataformas digitais, indicador que mede o engajamento do público com as publicações, e não o número total de seguidores.
Os dados mostram que Flávio iniciou o ano com forte desempenho digital e permaneceu na liderança em praticamente todo o período analisado. Em março, o senador atingiu seu maior índice de engajamento, ultrapassando a marca de 32 milhões de interações. A única exceção ocorreu em abril, quando o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), assumiu temporariamente a primeira colocação impulsionado pela repercussão de um embate público com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. Após esse episódio, porém, o desempenho de Zema voltou a cair, enquanto Flávio retomou a liderança.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, apresentou um comportamento mais estável nas redes sociais ao longo do semestre. Apesar de possuir a maior base de seguidores entre os presidenciáveis monitorados, seu volume de interações permaneceu abaixo do registrado por Flávio durante a maior parte das semanas analisadas. Segundo o levantamento, Lula encerrou junho com aproximadamente 38,9 milhões de seguidores somando todas as plataformas, mantendo a liderança em audiência digital, enquanto Flávio se destacou pela maior capacidade de mobilização do público e geração de engajamento.
A consultoria ressalta que seguidores e interações são métricas diferentes. O número de seguidores representa o tamanho do público que acompanha determinado perfil, enquanto as interações medem o quanto esse público reage às publicações por meio de curtidas, comentários e compartilhamentos. Dessa forma, um candidato pode ter menos seguidores, mas gerar mais engajamento em determinado período.
Os pesquisadores também observaram que momentos de grande repercussão política influenciaram diretamente os índices registrados. No caso de Lula, um dos picos ocorreu em maio, quando um vídeo publicado pelo presidente em defesa da valorização do Brasil obteve ampla repercussão nas redes sociais. Ainda assim, o levantamento aponta que Flávio continuou liderando a maior parte das semanas analisadas em volume de interações.
Especialistas destacam que os indicadores de engajamento refletem a força de mobilização nas redes sociais, mas não devem ser interpretados como intenção de voto. Pesquisas eleitorais utilizam metodologias diferentes e medem a preferência do eleitorado por meio de entrevistas com amostras representativas da população, enquanto o levantamento da Bites analisa apenas o comportamento dos usuários nas plataformas digitais.
O estudo reforça que as redes sociais seguem desempenhando papel relevante no cenário político brasileiro, especialmente em períodos pré-eleitorais. A capacidade de mobilizar apoiadores, ampliar o alcance de conteúdos e estimular a participação dos usuários tornou-se um dos principais indicadores acompanhados por campanhas e analistas, embora o desempenho digital não determine, por si só, o resultado das urnas.



