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“Pivô” da briga entre Michelle e Flávio inesperadamente assume como deputada na Câmara

A política do Ceará ganhou um novo capítulo nesta semana com a confirmação de que a vereadora Priscila Costa (PL) passará a ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados. A mudança ocorre após a oficialização da perda do mandato da deputada Dayany Bittencourt (União Brasil-CE), em uma decisão ligada à retotalização dos votos das eleições de 2022.

A alteração foi formalizada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que publicou os atos confirmando a perda dos mandatos de Dayany Bittencourt e também do deputado Paulão (PT-AL). As mudanças seguem determinações da Justiça Eleitoral e não precisaram passar por votação no plenário, já que representam apenas o cumprimento das decisões judiciais previstas na Constituição Federal.

No Ceará, a nova distribuição das cadeiras foi determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após uma recontagem dos votos da eleição para deputado federal. Com isso, Priscila Costa passa a representar o estado na Câmara. Já em Alagoas, a mudança decorreu de uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AL), resultando na posse de Nivaldo Albuquerque (Republicanos-AL) na vaga anteriormente ocupada por Paulão.

Embora a troca de parlamentares tenha fundamento jurídico, o momento político chama atenção por coincidir com um período de forte tensão dentro do Partido Liberal. Nos últimos dias, o relacionamento entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro ganhou destaque após divergências sobre os rumos da legenda no Ceará.

O desentendimento veio a público depois que Michelle Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que foi desrespeitada durante uma conversa telefônica com o senador. A declaração repercutiu rapidamente e ampliou o debate sobre as disputas internas envolvendo a estratégia eleitoral do partido para as próximas eleições.

No centro da discussão está a definição dos principais nomes que representarão o PL no Ceará. Michelle defendia uma candidatura mais alinhada ao grupo identificado com o bolsonarismo e demonstrava apoio ao senador Eduardo Girão (Novo). Já Flávio Bolsonaro participou das articulações que consolidaram o apoio da legenda ao deputado estadual Alcides Fernandes (PL), dentro de uma composição política construída com o PSDB.

Outro ponto importante da disputa foi a escolha do nome que disputaria uma vaga ao Senado. Michelle apoiava Priscila Costa para a missão, enquanto Flávio defendia Alcides Fernandes. Segundo a ex-primeira-dama, a vereadora teve papel relevante na campanha de André Fernandes à Prefeitura de Fortaleza em 2024, mas acabou ficando fora da disputa para viabilizar um acordo político mais amplo.

As declarações públicas aumentaram o desgaste entre os dois grupos. Michelle afirmou que Priscila Costa foi prejudicada durante as negociações internas e criticou a atuação de aliados do senador. As manifestações repercutiram entre lideranças do partido e fortaleceram a percepção de que existe uma disputa pela condução política da legenda no estado.

A crise teve novos desdobramentos quando Michelle Bolsonaro deixou a presidência do PL Mulher. Logo depois, anunciou a criação do movimento “Imparáveis MB”, iniciativa que será coordenada por sua equipe e que pretende manter a mobilização de apoiadores por meio de ações políticas e eventos.

Enquanto isso, Priscila Costa inicia uma nova etapa de sua trajetória política em Brasília. Sua chegada à Câmara dos Deputados acontece em um cenário de reorganização partidária e de intensas negociações para as eleições futuras. A expectativa agora é acompanhar como a nova deputada atuará no Congresso Nacional e de que forma sua presença poderá influenciar o espaço do PL no Ceará, especialmente em um momento em que as discussões internas seguem movimentando os bastidores da política brasileira.
 

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