Jaques Wagner deixa liderança do governo em “comum acordo” com Lula

O senador Jaques Wagner (PT-BA) anunciou nesta quarta-feira (24) sua saída da liderança do governo no Senado Federal. A decisão foi tomada após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizada no Palácio da Alvorada, em Brasília. O afastamento acontece em um momento delicado para o parlamentar, que passou a ser citado em investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Em publicação nas redes sociais, Wagner afirmou que a decisão foi tomada de forma consensual com o presidente. Segundo ele, o foco agora será concentrar esforços na defesa de sua imagem e na preparação para os próximos desafios eleitorais.
“Minha prioridade é demonstrar minha inocência e continuar trabalhando pela reeleição do presidente Lula, do governador Jerônimo Rodrigues e também pela minha própria candidatura ao Senado”, escreveu o senador.
A saída do cargo ocorre poucos dias após uma nova fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master. Durante a ação, agentes realizaram buscas e apreensões relacionadas ao caso. O episódio aumentou a pressão política sobre o senador, especialmente dentro de setores do próprio governo e do Partido dos Trabalhadores.
Nos bastidores, lideranças governistas avaliavam que a permanência de Wagner na função poderia gerar desgaste em um período considerado estratégico para o Palácio do Planalto. Com o início da movimentação eleitoral para os próximos meses, integrantes da base aliada defendiam uma mudança que evitasse desviar o foco das pautas prioritárias do governo federal.
Apesar das pressões, o senador resistiu inicialmente à ideia de deixar a liderança. No entanto, a avaliação predominante passou a ser a de que o afastamento seria a alternativa mais adequada para preservar tanto sua defesa quanto a articulação política do governo no Congresso Nacional.
A Operação Compliance Zero também alcançou outros nomes ligados ao meio empresarial e político. Entre eles está Augusto Lima, ex-sócio do empresário Daniel Vorcaro, conhecido por sua atuação em projetos financeiros que ganharam relevância nos últimos anos. O avanço das investigações ampliou o debate político em Brasília e provocou reações em diferentes partidos.
Mesmo deixando a liderança, Jaques Wagner segue exercendo normalmente o mandato de senador pela Bahia. Ele ocupa uma das cadeiras do estado desde 2019, após conquistar uma votação histórica nas eleições de 2018. Na ocasião, recebeu mais de 4,2 milhões de votos, estabelecendo um recorde para candidatos ao Senado no estado baiano.
A trajetória política de Wagner começou ainda no movimento estudantil, no final da década de 1960. Nascido no Rio de Janeiro, em 1951, ele se mudou para a Bahia nos anos 1970 e construiu sua carreira no estado. Atuou no movimento sindical, participou da fundação do PT na Bahia e se tornou um dos principais aliados de Lula ao longo das últimas décadas.
Ao longo de sua vida pública, exerceu mandatos como deputado federal, governador da Bahia por dois períodos consecutivos e ministro em diferentes áreas dos governos petistas. Também teve papel importante na consolidação política do partido no Nordeste e na formação de lideranças que atualmente ocupam posições de destaque no cenário nacional.
Agora, fora da liderança do governo no Senado, Jaques Wagner inicia uma nova etapa de sua trajetória política. Enquanto acompanha os desdobramentos das investigações, o senador busca manter sua influência dentro do PT e continuar atuando nas articulações que antecedem as próximas disputas eleitorais.



