Trump diz que Lula é ‘muito volátil’ e ‘não poderia se importar menos’ com brasileiro

A relação entre Brasil e Estados Unidos voltou ao centro das atenções nesta semana após uma série de declarações públicas envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano Donald Trump. O episódio ocorreu durante e após a cúpula do G7, realizada na França, e evidenciou divergências que vêm se acumulando nos últimos meses entre os dois governos.
Em entrevista ao portal Axios, publicada nesta sexta-feira (19), Trump afirmou que considera Lula uma pessoa “muito volátil”. Ao ser questionado sobre a relação entre os dois líderes, o republicano respondeu que não pensa com frequência no presidente brasileiro e destacou que percebe uma mudança em sua postura.
A declaração ocorreu poucos dias depois de Lula responder a comentários feitos pelo presidente americano durante compromissos internacionais. Em entrevista coletiva ao final da reunião do G7, o chefe do Executivo brasileiro afirmou que os assuntos eleitorais do Brasil devem ser tratados exclusivamente pelos brasileiros e pediu respeito à soberania nacional.
O presidente brasileiro também comentou as manifestações de Trump sobre a família Bolsonaro. Segundo Lula, não há problema em o líder norte-americano demonstrar simpatia por figuras políticas brasileiras, desde que não haja interferência em temas internos do país.
O clima de desconforto diplomático aumentou após Trump mencionar o nome de Eduardo Bolsonaro durante uma conversa com jornalistas. O presidente dos Estados Unidos afirmou, de forma equivocada, que o chamado “Bolsonaro Jr.” teria sido preso. Na realidade, o ex-deputado federal foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal, mas não houve prisão.
Além das declarações sobre política, a relação entre os dois países enfrenta desafios na área econômica. Lula criticou recentemente a decisão dos Estados Unidos de anunciar novas barreiras comerciais contra produtos brasileiros. O presidente classificou a medida como um gesto desrespeitoso e disse esperar que o diálogo entre as nações prevaleça antes da adoção de medidas mais rígidas.
Durante a cúpula do G7, Lula também fez um discurso em defesa do multilateralismo, do livre comércio e do respeito à soberania dos países. Sem citar diretamente os Estados Unidos em todos os momentos, o pronunciamento foi interpretado por analistas como uma resposta às recentes posições adotadas por Washington.
No centro da discussão está uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O órgão avalia diferentes aspectos das políticas comerciais brasileiras, incluindo temas ligados ao comércio digital, sistemas de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, mercado de etanol e questões ambientais.
O governo americano estabeleceu um cronograma para a análise do caso. Até o fim de junho e início de julho serão realizadas consultas públicas, audiências e recebimento de manifestações de empresas e entidades interessadas. A expectativa é que uma decisão final sobre possíveis medidas corretivas seja anunciada até 15 de julho de 2026.
Especialistas em relações internacionais observam que divergências entre governos não são incomuns, especialmente quando envolvem interesses comerciais e posicionamentos políticos distintos. Ainda assim, destacam que Brasil e Estados Unidos mantêm uma relação estratégica construída ao longo de décadas, com forte intercâmbio econômico e cooperação em diversas áreas.
Nos próximos dias, a atenção estará voltada para os desdobramentos das negociações comerciais e para eventuais novos contatos diplomáticos entre os dois governos. Enquanto isso, as declarações trocadas por Lula e Trump seguem repercutindo tanto nos bastidores da política quanto entre observadores internacionais.



