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O que Bolsonaro terá de explicar à polícia na próxima terça-feira

O ex-presidente Jair Bolsonaro deverá prestar depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal na próxima terça-feira (23), após autorização concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A oitiva faz parte da investigação sobre uma pistola calibre 9 milímetros registrada em nome do ex-presidente e apreendida durante uma blitz policial realizada nesta semana em Brasília.

Como Bolsonaro cumpre prisão domiciliar por determinação do STF, o depoimento será realizado em sua própria residência, às 15h. A investigação está sob responsabilidade do 17º Distrito Policial do Distrito Federal e busca esclarecer as circunstâncias em que a arma deixou a posse do ex-presidente e foi encontrada com um sargento do Exército Brasileiro durante uma fiscalização de rotina.

Antes da autorização judicial, agentes da Polícia Civil tentaram entregar pessoalmente uma intimação a Bolsonaro. Segundo relato encaminhado ao Supremo, a diligência não foi concluída porque integrantes da equipe de segurança responsável pelo ex-presidente impediram a aproximação dos policiais. Diante da situação, a corporação solicitou autorização formal ao STF para garantir a realização do depoimento e a continuidade das investigações.

Além de autorizar a oitiva, Alexandre de Moraes determinou que a defesa do ex-presidente apresente novas informações em até 48 horas. Entre os esclarecimentos solicitados estão detalhes sobre eventual contratação de profissionais de saúde para acompanhamento noturno de Bolsonaro e informações sobre a atuação dos agentes de segurança disponibilizados por ele ter ocupado a Presidência da República. O ministro também quer saber se esses profissionais permanecem em serviço durante a noite.

O caso ganhou repercussão após a apreensão da arma em uma abordagem realizada no Pistão Norte, importante via do Distrito Federal. O armamento estava em um veículo oficial conduzido pelo sargento Estácio Leite da Silva Filho. Durante a fiscalização, os policiais identificaram a presença da pistola e de um carregador no interior do automóvel. Ao ser questionado, o militar informou que a arma pertencia a Jair Bolsonaro e que estava sendo transportada para manutenção.

Segundo o depoimento prestado pelo sargento, a pistola apresentava uma falha mecânica aparentemente simples e seria encaminhada para reparo. O militar afirmou ainda que atua junto ao ex-presidente e que recebeu a arma justamente para providenciar a correção do problema. Após a abordagem, ele foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos sobre a origem e o transporte do equipamento.

A defesa de Bolsonaro confirmou a versão apresentada pelo militar. De acordo com os advogados, o ex-presidente percebeu que o mecanismo de acionamento da arma não funcionava corretamente e decidiu buscar auxílio técnico. Os representantes afirmam que o sargento possui experiência com armamentos e conhecimento específico sobre o modelo Glock, razão pela qual teria sido encarregado de avaliar o defeito.

Os advogados também revelaram que integrantes da equipe de segurança teriam retirado o percussor da pistola sem o conhecimento de Bolsonaro, tornando o armamento incapaz de efetuar disparos. Segundo a defesa, a medida foi adotada por precaução devido ao tratamento médico e ao uso de medicamentos psiquiátricos pelo ex-presidente. Após perceber que a arma não funcionava, Bolsonaro teria solicitado uma verificação técnica para identificar a causa do problema.

Outro ponto destacado pela defesa é que a condenação relacionada à tentativa de golpe de Estado não determinou a entrega do armamento às autoridades. Os advogados argumentam que, caso houvesse uma ordem judicial nesse sentido, ela teria sido cumprida imediatamente. Além disso, sustentam que Bolsonaro não tem interesse em recuperar a pistola enquanto permanecer cumprindo pena.

A investigação busca esclarecer se houve alguma irregularidade na posse ou no transporte da arma, bem como verificar se todas as condições impostas ao ex-presidente durante o período de prisão domiciliar estão sendo respeitadas. O depoimento previsto para a próxima semana é considerado uma etapa importante para que os investigadores obtenham a versão direta de Bolsonaro sobre os fatos.

O caso ocorre em um momento em que se aproxima o término do período de prisão domiciliar humanitária concedido ao ex-presidente. Moraes já havia demonstrado interesse em compreender a relação entre o pedido de manutenção do armamento e a proximidade do encerramento do benefício. A defesa, no entanto, sustenta que a necessidade de conserto decorreu exclusivamente da falha mecânica identificada na arma e não possui qualquer ligação com a situação processual de Bolsonaro.

Com a autorização do Supremo, a Polícia Civil poderá avançar na coleta de informações e concluir diligências consideradas essenciais para determinar se houve alguma violação legal relacionada ao episódio. O resultado do depoimento e dos esclarecimentos solicitados pela Corte deverá influenciar os próximos passos da investigação conduzida pelas autoridades do Distrito Federal.

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