Deputada petista quer retirar nome da mãe de Bolsonaro de viaduto

Uma nova disputa política ganhou espaço na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) nesta semana. A deputada estadual Beth Sahão, do Partido dos Trabalhadores (PT), apresentou um projeto de lei propondo a mudança do nome de um viaduto localizado no km 15 da Rodovia dos Bandeirantes, na região de Diadema, na Grande São Paulo.
A proposta prevê que o atual Viaduto Olinda Bolsonaro passe a se chamar Viaduto Deputada Bia Pardi. A iniciativa surge poucos dias após a sanção da lei que deu ao local o nome de Olinda Bonturi Bolsonaro, mãe do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A homenagem à matriarca da família Bolsonaro foi oficializada na última terça-feira (9), após a aprovação de um projeto apresentado pelo deputado estadual Paulo Mansur (PL) ainda em 2023. A medida recebeu a assinatura do governador Tarcísio de Freitas, consolidando a denominação do viaduto.
Na justificativa da proposta original, Mansur destacou a trajetória de Olinda Bolsonaro, que faleceu em 2022, aos 94 anos, no município de Registro, interior paulista. O parlamentar ressaltou sua dedicação à família, sua vida simples no meio rural e os valores transmitidos aos filhos ao longo das décadas.
Segundo o texto, Olinda conduziu sua vida pautada pela fé, pela honestidade e pelo compromisso com a educação dos filhos. O deputado também afirmou que ela deixou um legado marcado por princípios familiares, religiosidade e exemplo de conduta para as pessoas ao seu redor.
Entretanto, a homenagem não passou sem contestação. Para Beth Sahão, a permanência do nome no viaduto não atende ao interesse público. Em sua argumentação, a parlamentar afirma que a homenagem acaba estabelecendo uma ligação indireta com a figura do ex-presidente Jair Bolsonaro, personagem que continua no centro de debates políticos nacionais.
Por esse motivo, a deputada propõe substituir a denominação por uma homenagem à professora e sindicalista Bia Pardi, reconhecida por sua atuação política e social. Pardi foi uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores e teve participação importante em movimentos ligados à educação e à organização sindical no estado de São Paulo.
No texto apresentado à Alesp, Sahão argumenta que a Assembleia possui competência legal para revisar denominações de bens públicos estaduais sempre que houver justificativas relacionadas ao interesse coletivo. A deputada também destaca que homenagens concedidas por lei não são permanentes e podem ser alteradas por decisão do Poder Legislativo.
A proposta promete ampliar o debate entre parlamentares das diferentes correntes políticas representadas na Casa. Enquanto apoiadores da homenagem a Olinda Bolsonaro defendem o reconhecimento de sua história pessoal e familiar, defensores da mudança afirmam que espaços públicos devem refletir valores considerados mais amplos e representativos da sociedade.
O tema surge em um momento de forte polarização política no país, em que homenagens, nomes de obras públicas e símbolos institucionais frequentemente se transformam em motivo de discussão entre grupos com visões distintas.
Agora, o projeto seguirá os trâmites legislativos da Assembleia Legislativa de São Paulo. Caso avance pelas comissões e obtenha aprovação em plenário, a proposta poderá alterar novamente a identificação do viaduto, reacendendo o debate sobre critérios utilizados para homenagens em espaços públicos e o papel dessas escolhas na memória coletiva da população.



