Delação de Vorcaro cita propina de US$ 30 mi a Davi Alcolumbre

Uma nova proposta de colaboração premiada apresentada por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, voltou a movimentar os bastidores políticos e jurídicos em Brasília. O documento, que foi rejeitado pela Polícia Federal, permanece em análise na Procuradoria-Geral da República (PGR) e traz alegações que podem ampliar o alcance de investigações já em andamento.
Segundo informações divulgadas pela imprensa nacional, Vorcaro teria apresentado aos investigadores um relato envolvendo uma suposta transferência de recursos para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O valor mencionado seria de aproximadamente US$ 30 milhões, o equivalente a cerca de R$ 153,5 milhões na cotação atual.
De acordo com o conteúdo revelado, os recursos teriam sido movimentados por meio de uma conta no exterior. A operação financeira, conforme o relato atribuído ao ex-banqueiro, teria contado com a participação do empresário Augusto Lima, que já foi sócio de Vorcaro em empreendimentos ligados ao setor financeiro.
Apesar da gravidade das alegações, é importante destacar que a proposta de colaboração não foi aceita pela Polícia Federal.
Em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) na última quinta-feira, a corporação informou oficialmente sua decisão de rejeitar o acordo apresentado.
Mesmo assim, o material não foi descartado. A Procuradoria-Geral da República continua examinando os documentos e as informações fornecidas pelo ex-dono do Banco Master. Conforme divulgado, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, determinou que a análise seja feita de forma criteriosa, sem estabelecer um prazo específico para a conclusão dos trabalhos.
Além das citações envolvendo o presidente do Senado, a proposta também aborda negócios relacionados ao Banco Master e autoridades da Bahia. Entre os nomes mencionados estaria o de Rui Costa, ex-governador do estado e ex-ministro da Casa Civil.
Nesse ponto, porém, não há relatos de supostos pagamentos indevidos. O foco estaria em esclarecimentos sobre a operação de um modelo de empréstimo consignado vinculado à folha salarial de servidores estaduais. Segundo os relatos divulgados, Vorcaro teria demonstrado interesse em detalhar o funcionamento desse sistema e os acordos firmados ao longo dos anos.
A movimentação ocorre em um momento de intensa atenção sobre mecanismos de colaboração premiada no Brasil. Esse instrumento tem sido utilizado em diferentes investigações para reunir informações consideradas relevantes pelas autoridades, mas sua aceitação depende da avaliação dos órgãos responsáveis e da comprovação da utilidade dos elementos apresentados.
Esta é a segunda tentativa de Daniel Vorcaro de firmar um acordo com os investigadores. Em maio, uma proposta anterior já havia sido rejeitada pela Polícia Federal sob o argumento de que os dados apresentados eram insuficientes para justificar a formalização da colaboração.
Na ocasião, entretanto, a Procuradoria-Geral da República sinalizou interesse em manter o diálogo aberto e receber eventuais informações adicionais. Esse posicionamento ajudou a manter as negociações em andamento e abriu espaço para a apresentação de novos elementos.
Até o momento, não houve manifestação pública da equipe de Davi Alcolumbre sobre o conteúdo das alegações divulgadas. O espaço permanece aberto para esclarecimentos ou posicionamentos oficiais.
Enquanto a análise segue na PGR, o caso permanece cercado de expectativa, especialmente por envolver figuras de destaque da política nacional e por depender da validação das informações apresentadas para avançar nas próximas etapas.



