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TSE julga decisão que suspendeu pesquisa envolvendo Flávio Bolsonaro

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve analisar nesta terça-feira a decisão do ministro Kassio Nunes Marques que suspendeu a divulgação de uma pesquisa eleitoral da AtlasIntel envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O caso ganhou grande repercussão política após o levantamento apontar queda na intenção de votos do parlamentar depois da divulgação de áudios ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso Master.

A decisão liminar foi assinada pelo presidente do TSE no domingo e será agora submetida ao plenário da Corte, formado por sete ministros. Para formar maioria, são necessários ao menos quatro votos. Neste primeiro julgamento, os ministros ainda não devem analisar o mérito definitivo da ação, mas sim a manutenção ou não da suspensão determinada por Nunes Marques.

O Partido Liberal acionou a Justiça Eleitoral alegando que a metodologia utilizada pela AtlasIntel teria causado prejuízo à imagem de Flávio Bolsonaro. Segundo a defesa do partido, a pesquisa apresentou aos entrevistados informações com forte carga negativa relacionadas ao senador e ao caso envolvendo Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do banco Master.

O levantamento foi realizado após a divulgação de áudios e mensagens revelados pelo Intercept Brasil, nos quais Flávio Bolsonaro aparece tratando sobre um financiamento milionário para o filme “Dark Horse”, produção baseada na trajetória política de Jair Bolsonaro durante a eleição presidencial de 2018. Conforme as informações divulgadas, o valor discutido teria chegado a R$ 134 milhões.

Na pesquisa, a AtlasIntel reproduziu o áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e Vorcaro aos entrevistados. Esse ponto acabou se tornando o centro da discussão jurídica. O ministro Kassio Nunes Marques entendeu que a inclusão do material poderia influenciar emocionalmente os eleitores e gerar indução nas respostas do levantamento.

Ao suspender a divulgação da pesquisa, o presidente do TSE afirmou haver indícios de desequilíbrio metodológico e possível comprometimento da neutralidade exigida em pesquisas eleitorais. A decisão também proibiu novo impulsionamento ou divulgação do conteúdo até nova deliberação da Corte.

A AtlasIntel, por outro lado, afirma que o áudio não interferiu nas respostas eleitorais dos entrevistados. Segundo o CEO do instituto, Andrei Roman, a gravação foi apresentada apenas após o encerramento do questionário principal, sem possibilidade de alteração das respostas já registradas.

Em nota pública, a empresa declarou respeitar a decisão do TSE, mas afirmou que apresentará esclarecimentos técnicos para comprovar a legalidade da metodologia aplicada. Roman também afirmou nas redes sociais que pretende recorrer da suspensão e negou qualquer motivação política na elaboração da pesquisa.

O caso abriu um debate entre especialistas em direito eleitoral sobre os limites metodológicos das pesquisas durante períodos pré-eleitorais. Juristas ouvidos por veículos de imprensa apontam que a utilização de áudios, vídeos ou conteúdos jornalísticos em levantamentos eleitorais ainda é um tema relativamente novo no Brasil e pode exigir regulamentação mais específica por parte da Justiça Eleitoral.

A pesquisa da AtlasIntel ouviu 5.023 eleitores entre os dias 13 e 18 de maio por meio de recrutamento digital aleatório. Segundo o instituto, a margem de erro é de um ponto percentual, com nível de confiança de 95%.

Nos bastidores políticos, aliados de Flávio Bolsonaro consideraram a decisão de Nunes Marques uma vitória importante diante do desgaste provocado pela divulgação dos áudios envolvendo Daniel Vorcaro. Já adversários do senador criticaram a suspensão e afirmam que a medida pode abrir precedente para questionamentos futuros sobre pesquisas eleitorais.

O julgamento no plenário do TSE deve ser acompanhado de perto por partidos políticos, institutos de pesquisa e analistas eleitorais, já que a decisão poderá influenciar diretamente os critérios aceitos pela Justiça Eleitoral para levantamentos durante a corrida presidencial de 2026.

Além da discussão jurídica sobre metodologia, o episódio também intensificou a disputa política em torno da imagem de Flávio Bolsonaro, que vinha liderando parte das movimentações digitais da direita nos últimos meses. O impacto da crise envolvendo o caso Master passou a ser explorado tanto por aliados quanto por adversários no cenário pré-eleitoral.

A expectativa agora é sobre como os ministros do TSE irão interpretar o equilíbrio entre liberdade metodológica dos institutos de pesquisa e a necessidade de evitar possíveis influências indevidas no eleitorado. A decisão do plenário poderá estabelecer um marco importante para futuras pesquisas eleitorais que utilizem conteúdos multimídia ou elementos externos como parte dos levantamentos de opinião pública.

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