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Caso Vorcaro não muda opinião dos eleitores sobre Flávio Bolsonaro, diz pesquisa

Uma nova pesquisa nacional divulgada nesta sexta-feira colocou no centro do debate político os efeitos da divulgação de áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. De acordo com o levantamento realizado pelo instituto Futura Inteligência em parceria com a Apex Partners, a maior parte dos brasileiros afirma que o conteúdo divulgado não alterou sua percepção sobre o parlamentar. O resultado reforça o cenário de forte polarização política no país, onde episódios de grande repercussão pública nem sempre provocam mudanças significativas na opinião do eleitorado.

A pesquisa foi realizada entre os dias 15 e 20 de maio, poucos dias após o The Intercept Brasil divulgar mensagens e áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Nas conversas reveladas, o senador mencionaria dificuldades relacionadas aos custos de produção de um filme ligado à trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. O investimento negociado para o projeto audiovisual teria alcançado cerca de US$ 24 milhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 134 milhões. A divulgação do material rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais e ampliou o debate político em Brasília.

Segundo os dados apresentados pela pesquisa, 71,5% dos entrevistados afirmaram que os áudios não mudaram sua opinião sobre Flávio Bolsonaro. Já 18,7% disseram que passaram a ter uma visão mais negativa do senador após o vazamento das informações. Outros 6,4% declararam que o episódio gerou uma percepção mais positiva sobre o parlamentar, enquanto 3,4% afirmaram permanecer indecisos sobre o assunto. Os números foram interpretados por analistas políticos como um sinal de que grande parte do eleitorado brasileiro mantém posicionamentos já consolidados em relação às principais lideranças políticas do país.

O levantamento também buscou medir se o caso aumentou a vontade dos eleitores de procurar alternativas políticas fora da polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, que aparece como um dos nomes cotados para futuras disputas presidenciais. Nesse cenário, 65,8% dos entrevistados responderam que o episódio não alterou suas intenções de voto. Outros 12,7% disseram que o caso aumentou muito a vontade de apoiar um nome diferente, enquanto 10,4% afirmaram que houve aumento parcial desse desejo. Apenas 4,2% disseram que o episódio reduziu a intenção de votar em uma terceira alternativa.

Outro dado que chamou atenção foi a percepção dos entrevistados sobre quem teria sido mais beneficiado politicamente após a divulgação dos áudios. Para 55,6% dos participantes, o maior favorecido seria o presidente Lula. Já 26,4% afirmaram não saber responder ou não identificaram impacto político claro para nenhum nome específico. Outros políticos citados na pesquisa apareceram com índices menores, incluindo Michelle Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, demonstrando que o caso continua concentrado principalmente na disputa entre governistas e oposição conservadora.

Especialistas em opinião pública observam que episódios envolvendo vazamentos, investigações e polêmicas políticas costumam ter impacto diferente dependendo do perfil ideológico do eleitor. Em um ambiente de intensa polarização, muitos eleitores tendem a manter suas convicções mesmo diante de fatos amplamente debatidos pela imprensa e pelas redes sociais. A repercussão do caso Master e das conversas divulgadas reforça justamente esse cenário, no qual disputas políticas passam a ser interpretadas de maneiras distintas por diferentes grupos da sociedade. As redes sociais também desempenham papel central na ampliação do alcance dessas discussões.

A pesquisa Futura/Apex entrevistou 2 mil eleitores em 878 cidades brasileiras por meio de entrevistas telefônicas. O levantamento possui margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, estando registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob protocolo oficial. Com a proximidade de novas movimentações políticas e pré-campanhas eleitorais, os números reforçam que temas ligados ao Banco Master, ao financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro e às relações entre empresários e políticos devem continuar ocupando espaço relevante no debate nacional nos próximos meses. Confira a pesquisa na íntegra.

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