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Janja não poupa palavras ao ator Juliano Cazarré

A primeira-dama Janja criticou nesta quarta-feira (20) um ator de grande emissora por, segundo ela, disfarçar machismo sob a forma de opinião e disseminar informações falsas sobre violência de gênero. Durante evento do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, Janja afirmou que o profissional levou ao ar, em rede nacional, dados distorcidos originados de vídeos virais do TikTok. Embora não tenha citado o nome, o alvo evidente foi o ator Juliano Cazarré, que participou do GloboNews Debate.

Cazarré argumentou no programa que mais mulheres matam homens do que homens matam mulheres, citando números aproximados de cerca de 2.500 homens assassinados por mulheres contra 1.500 mulheres mortas por homens em determinado período. A declaração gerou repercussão imediata nas redes sociais e foi interpretada por críticos como uma tentativa de relativizar a gravidade do feminicídio no país. Janja classificou a intervenção como desinformação que prejudica o combate à violência contra a mulher.

Especialistas em segurança pública e fact-checkers apontam que a comparação apresentada pelo ator mistura estatísticas de naturezas distintas. Enquanto o Brasil registra alta letalidade contra homens, sobretudo em contextos de criminalidade urbana, tráfico e disputas, os feminicídios envolvem assassinatos motivados por razões de gênero, geralmente cometidos por parceiros ou ex-parceiros no ambiente doméstico. Dados oficiais do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que os feminicídios atingiram recordes recentes, configurando um padrão específico de violência.

A polêmica ocorre em meio a um debate mais amplo sobre masculinidade e violência no país. Cazarré tem se posicionado publicamente em favor de discussões sobre o papel dos homens na sociedade contemporânea e organiza eventos voltados ao público masculino, como “O Farol e a Forja”, que despertam tanto apoio quanto críticas de setores feministas e da imprensa.

Defensores do ator argumentam que ele apenas trouxe dados sobre homicídios totais, categoria na qual os homens são, de fato, a maioria absoluta das vítimas no Brasil há décadas. Para eles, ignorar esses números empobrece o debate sobre violência e segurança pública como um todo. Já os críticos veem na abordagem uma minimização do machismo estrutural e da subnotificação de casos de violência doméstica.

O evento comandado por Janja reforçou a necessidade de combater a desinformação sobre o tema. Autoridades presentes defenderam maior regulação de conteúdos nas plataformas digitais e o fortalecimento de políticas públicas de proteção às mulheres. A primeira-dama enfatizou que opiniões pessoais não podem servir de veículo para informações falsas que, segundo ela, colocam em risco o avanço das pautas de gênero.

O episódio ilustra a crescente polarização em torno de temas sensíveis como violência doméstica e papéis de gênero no Brasil. Enquanto uma parcela da sociedade cobra maior atenção aos dados gerais de homicídios, outra defende que o feminicídio exige políticas específicas e narrativas focalizadas, sem relativizações que possam enfraquecer o combate a esse tipo de crime.

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